Violência recrudesce no setor farmacêutico
A comercialização de canetas emagrecedoras em alta nos mercados paralelo e ilegal tem impulsionado uma onda de assaltos a farmácias em todo o território nacional, com casos registrados em intervalos cada vez menores. A gravidade dos episódios, que incluem homicídios e sequestros relâmpago, tem transformado o ambiente de trabalho em um cenário de risco iminente para farmacêuticos, balconistas e seguranças.
Impacto psicológico irreversível
Os relatos de profissionais que vivenciaram os ataques são unânimes na descrição do trauma: insônia, crises de ansiedade e quadros depressivos severos passaram a integrar a rotina de quem permanece no setor. Humberto Maciel, 26 anos, farmacêutico vítima de um assalto na madrugada de fevereiro em São Paulo, descreve como a imagem da colega morta a tiros o persegue diariamente. ‘O medo não é passageiro. É uma sombra que se instala’, afirma. Dados preliminares de sindicatos da categoria indicam que, nos últimos seis meses, pelo menos 15% dos profissionais afastaram-se por transtornos mentais relacionados à insegurança.
Resposta institucional e cobranças por segurança
Diante da escalada da violência, batalhões da Polícia Militar em estados como São Paulo e Rio de Janeiro intensificaram patrulhamento em regiões com maior incidência de ocorrências. No entanto, entidades como o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) argumentam que medidas pontuais não são suficientes. ‘Exigimos que o Estado assuma sua responsabilidade e implemente políticas de segurança específicas para o setor, além de discutir a viabilidade de manter farmácias abertas 24 horas em áreas de risco’, declarou a presidente da Abrafarma, em nota oficial.
Fuga do setor e prejuízos econômicos
A combinação de instabilidade laboral e riscos à integridade física tem levado profissionais a buscarem rescisões contratuais amigáveis ou ingressarem com ações judiciais por dano moral. Além disso, algumas redes optaram por fechar unidades em horários noturnos ou reduzir o quadro de funcionários, impactando diretamente a disponibilidade de serviços essenciais à população. Especialistas em segurança privada alertam que, sem uma resposta coordenada entre governo, empresas e forças de segurança, o cenário tende a agravar-se, colocando em xeque a própria sustentabilidade do modelo de farmácias 24 horas no Brasil.




