A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) alerta para um cenário adverso no segundo semestre de 2026, com projeção de redução de até 10% nos embarques de carne bovina brasileira. A principal causa é o esgotamento antecipado da cota destinada à China, maior comprador global da proteína, o que restringirá novos envios a partir do segundo semestre.
Segundo estimativas da entidade, o Brasil deve atingir 50% do volume autorizado para exportação ao mercado chinês até o final de junho, com previsão de esgotamento total da cota no início de julho. O cálculo considera não apenas os embarques já realizados, mas também o tempo logístico necessário para a entrega da mercadoria, o que acelera a necessidade de ajustes operacionais no setor.
Setor enfrenta paralisação temporária de abates voltados à China
Roberto Perosa, presidente da ABIEC, confirmou que as indústrias devem interromper temporariamente os abates destinados ao mercado chinês entre o final de maio e o início de junho. Essa medida visa evitar excedentes que não poderão ser exportados devido à limitação da cota. “As indústrias precisam se adequar à realidade imposta pela cota chinesa”, declarou Perosa, destacando que o setor ingressará em um período de cautela operacional e financeira.
A dependência estrutural do mercado chinês, que absorveu 1,7 milhão de toneladas do total de 3,5 milhões exportadas pelo Brasil em 2025, representa um dos maiores riscos para o segmento. Segundo a ABIEC, não há, no horizonte imediato, alternativa capaz de absorver volumes equivalentes. “Nenhum outro mercado possui capacidade de substituição imediata”, afirmou Perosa, citando tentativas limitadas de expansão em países como Estados Unidos, Indonésia, Filipinas e Malásia.
Impacto econômico e estratégias setoriais em análise
O setor pecuário brasileiro, que movimenta bilhões de dólares anualmente, enfrenta um desafio duplo: a redução da demanda chinesa e a necessidade de diversificação de mercados. Analistas do segmento indicam que a queda projetada nos embarques pode pressionar os preços internos da carne bovina, afetando tanto produtores quanto consumidores finais.
A ABIEC, em conjunto com o Ministério da Agricultura, estuda estratégias para mitigar os impactos, incluindo a promoção de acordos comerciais alternativos e a intensificação de campanhas de marketing em mercados emergentes. No entanto, especialistas ressaltam que tais medidas demandarão tempo para apresentar resultados efetivos, dada a complexidade logística e a concorrência global.
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