Brasil aguarda confirmação da sobretaxa de 25%
Expectativa no Planalto
O Palácio do Planalto aguarda a confirmação da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, decisão que deve ser anunciada nesta quarta-feira (15) pelo governo dos Estados Unidos. Caso a medida seja confirmada, o Brasil pretende insistir em novas conversas para adiar o início da cobrança e avaliar a aplicação da lei da reciprocidade, que permite resposta equivalente às tarifas impostas.
Negociações e posicionamento
Nas últimas semanas, o tema mobilizou o governo federal e entidades ligadas à indústria, setor que será o mais impactado, seguido pelo agronegócio.
No encontro realizado na terça-feira (14), representantes do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), do MRE (Ministério das Relações Exteriores) e da Assessoria Especial da Presidência se reuniram com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Após a reunião, a comitiva divulgou nota reforçando o caráter injusto da medida: “A aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado.”
A reunião integrou uma série de encontros negociados entre Lula e Donald Trump, que estabeleceram um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial.
Impactos econômicos
A tarifa de 25% não incidirá sobre carnes, café, minerais e partes de aeronaves, mas incluirá matérias-primas como o ferro-gusa, essencial para a produção de aço e ferro fundido. Em 2024, o item representou US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras para os EUA, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). Se confirmada, a taxa sobre o produto passará de 10% para 37,5%.
A medida pode afetar fabricantes e ameaçar empregos do setor, além de impactar madeireiras e produtores de açúcar sólido, sebo não comestível e álcool etílico não desnaturado.
Contexto político e comercial
O anúncio ocorre um mês e meio após o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) abrir investigação sobre o Pix, alegando que o sistema de transferências poderia ser considerado uma prática desleal contra operadoras de cartão de crédito norte-americanas.




