Número de votantes nessa faixa etária cresceu 74% em 16 anos; a partir dos 70 anos, o voto passa a ser facultativo
O eleitorado brasileiro com 60 anos ou mais alcançou 23,2% do total e vem apresentando crescimento significativamente superior ao registrado entre os demais votantes. Dados reunidos pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e recorte até março de 2026, mostram que esse contingente aumentou 74% desde 2010.
No mesmo intervalo, o número total de eleitores do país avançou 15%. Enquanto o eleitorado geral passou por uma expansão mais moderada, a quantidade de pessoas com mais de 60 anos aptas a votar saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões.
O crescimento da participação desse grupo nas eleições acompanha a transformação da estrutura etária da população brasileira. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação dos idosos na população nacional passou de 11,3% para 16,6% entre 2012 e 202.
Atendimento prioritário nas eleições
A legislação eleitoral estabelece condições diferenciadas para os eleitores a partir dos 60 anos. Esse público tem direito a atendimento prioritário nos locais de votação, sem precisar permanecer na fila destinada aos demais eleitores.
Além da preferência no atendimento, os idosos podem contar com mecanismos de acessibilidade, recursos e tecnologias assistivas destinados a facilitar a participação no processo eleitoral e garantir maior autonomia durante a votação.
Para eleitores com 80 anos ou mais, a legislação também prevê prioridade para os acompanhantes. A medida está prevista na Lei 14.364/2022, que reforça as garantias destinadas a esse segmento do eleitorado.
Cabe ainda à Justiça Eleitoral assegurar condições adequadas de atendimento, com tratamento digno e respeitoso aos eleitores idosos durante o exercício do direito ao voto.
Quando o voto deixa de ser obrigatório
A legislação brasileira determina que o voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 69 anos. A partir dos 70 anos, a participação nas eleições passa a ser facultativa. A mesma regra de facultatividade se aplica aos analfabetos e aos jovens de 16 e 17 anos.
O comportamento dos eleitores idosos também apresenta diferenças em relação ao conjunto do eleitorado. Nas eleições gerais, a taxa de abstenção entre os votantes em geral aumentou de 19,4%, em 2014, para 20,9%, em 2022.
Entre os eleitores com 60 anos ou mais, porém, ocorreu o movimento contrário. A proporção dos que deixaram de votar recuou de 37,1% para 34,5% no mesmo período, uma redução de 2,6 pontos percentuais.
A queda foi ainda mais expressiva entre os cidadãos com mais de 70 anos, faixa em que o voto já não é obrigatório. Nesse grupo, a abstenção caiu de 63,6% para 58,9%, o equivalente a uma redução de 4,7 pontos percentuais.




