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Ebola ressurge em Ituri: 65 mortos e militares incapazes de conter a epidemia

Redação
15 de maio de 2026 às 07:13
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Ebola ressurge em Ituri: 65 mortos e militares incapazes de conter a epidemia

Foto: Redação Central

A província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDC), enfrenta um novo e devastador surto de Ebola, que já ceifou 65 vidas desde seu início, há menos de três meses

 

A região, há décadas assolada por conflitos entre dezenas de grupos armados, agora soma uma crise sanitária à sua já precária situação de segurança, agravada pela incapacidade das autoridades militares de conter tanto a epidemia quanto a violência persistente.

O colapso da autoridade civil e a escalada militar

Desde 2021, Ituri opera sob regime militar, com o poder civil substituído por um general das Forças Armadas da RDC na tentativa de neutralizar os inúmeros grupos armados que operam na região há anos. Entre esses grupos, destaca-se a Allied Democratic Forces (ADF), vinculada ao Estado Islâmico, cuja presença tem se intensificado nos últimos anos, ampliando o controle territorial e a instabilidade.

A medida, inicialmente apresentada como uma solução para a segurança, falhou em restaurar a ordem. Em vez disso, a população local sofre com a combinação letal de conflitos armados, deslocamentos forçados e, agora, uma epidemia de Ebola que se espalha sem resposta eficaz das forças de segurança.

Ebola em Ituri: um cenário de negligência e vulnerabilidade

Os dados oficiais, ainda preliminares, indicam que os casos confirmados e suspeitos ultrapassam a marca de 120, com uma taxa de letalidade superior a 50%. Especialistas em saúde pública alertam que a situação pode piorar rapidamente, dado o histórico de surtos anteriores na RDC — país que já registrou as piores epidemias da doença na história recente.

A infraestrutura de saúde em Ituri é praticamente inexistente. Hospitais improvisados, falta de pessoal treinado e a presença constante de grupos armados impedem o acesso seguro a testes, vacinas e tratamentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e Médicos Sem Fronteiras (MSF) têm denunciado a incapacidade de resposta em tempo hábil, citando barreiras logísticas e a violência como principais obstáculos.

ADF e a estratégia de terror: o Estado Islâmico no coração da África

A Allied Democratic Forces (ADF), que desde 2019 jura lealdade ao Estado Islâmico, tem expandido suas operações em Ituri, atacando civis e forças de segurança. Seu modus operandi inclui sequestros, execuções sumárias e a imposição de um regime de terror, o que agrava ainda mais a crise humanitária.

Relatos de moradores descrevem um cenário de pânico: comunidades inteiras são forçadas a fugir de suas casas, enquanto os doentes são abandonados à própria sorte ou sequestrados por combatentes. A ADF, segundo investigações da ONU, teria recebido financiamento e treinamento de células do Estado Islâmico no Oriente Médio, o que eleva o risco de uma internacionalização do conflito.

O fracasso da militarização e o apelo por soluções urgentes

A estratégia de substituir autoridades civis por comandantes militares não apenas não conteve a ADF como também desmantelou estruturas básicas de governança local. A população de Ituri, já exausta pela guerra, agora enfrenta uma emergência sanitária sem precedentes.

Analistas políticos e organizações de direitos humanos exigem uma revisão imediata da abordagem militar. “A presença de tropas não é suficiente. É necessário um plano integrado que combine segurança, saúde pública e reconstrução institucional”, afirmou um pesquisador da International Crisis Group, sob condição de anonimato.

Enquanto isso, o governo congolês, em parceria com parceiros internacionais, tenta organizar uma resposta coordenada. No entanto, a logística é complexa: a região é remota, as estradas estão sob controle de grupos armados, e a confiança da população nas autoridades está em frangalhos.

O que esperar nos próximos meses?

A projeção mais pessimista, compartilhada por epidemiologistas, indica que o surto pode se alastrar para províncias vizinhas, como Kivu do Norte, onde a ADF também mantém presença significativa. A RDC, já fragilizada por décadas de instabilidade, corre o risco de enfrentar uma das piores crises sanitárias de sua história contemporânea.

A única esperança, segundo especialistas, é uma intervenção internacional robusta — não apenas militar, mas também humanitária e logística. No entanto, a viabilidade de tal operação depende da vontade política de atores regionais e globais, que, até agora, têm demonstrado hesitação.

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