(Foto: Ton Molina/Agência Senado – 30.4.2026)
Pré-candidato adota tom moderado e pede união diante de conflitos na direita
Atritos familiares e apelo público
Abril foi marcado por uma série de tensões na família Bolsonaro. O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez um apelo público para que aliados interrompessem embates motivados por “mágoas e provocações” e priorizassem o futuro do país.
O movimento ocorreu após trocas de críticas entre o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), evidenciando instabilidade na base conservadora. Em vídeo, Flávio demonstrou preocupação ao ver lideranças “se digladiando”: “O inimigo não está aqui, está do lado de lá. Esse é o tipo de confusão em que não há vencedor. Todos perdem. Precisamos focar no caminho a seguir e perdoar uns aos outros”, declarou.
A busca pela coesão foi reforçada em nova manifestação na plataforma X, após desentendimento entre Nikolas Ferreira e o vereador Jair Renan (PL-SC). Flávio destacou: “Preciso de todos me defendendo das mentiras da esquerda e esfregando a verdade na cara deles”.
A estratégia do “articulador moderado”
Segundo o cientista político Rafael François Porto, Flávio tem se posicionado como um “articulador moderado”, buscando ampliar a base eleitoral sem se afastar da herança política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O discurso mais institucional seria voltado à elite política e econômica, com o objetivo de reduzir a rejeição ao sobrenome da família.
Porto observa que essa postura pode gerar ruídos internos, já que Carlos Bolsonaro defende a manutenção de um conservadorismo mais ativo e fiel às raízes. Para o cientista, Flávio tenta reduzir a polarização em torno do bolsonarismo, destacando que, diferentemente de outros presidenciáveis como Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, o senador não possui trajetória no Executivo, o que limita sua vitrine administrativa.
Expansão da base e desafios de 2026
O consultor político Davi Wender complementa que a postura discreta de Flávio, em comparação aos irmãos, o leva a tentar apresentar uma nova versão da direita. A moderação seria uma estratégia para conquistar eleitores que rejeitaram Jair Bolsonaro no pleito anterior.
“Ele já detém uma base fiel de 20% a 30%. Para crescer, precisa buscar votos que hoje não possui, o que torna a moderação um passo lógico de campanha”, afirma Wender.
O consultor avalia que o cenário de 2026 será marcado pela lógica do referendo, típica de processos de reeleição, em que a população decidirá pela continuidade ou não do governo atual. Nesse contexto, o presidente Lula teria a vantagem da máquina pública, embora a história recente mostre que a reeleição não é garantida.
A ausência de nomes para vice-presidência ou ministério é vista como cautela estratégica. “É preciso equilibrar a composição partidária para garantir governabilidade futura e, simultaneamente, escolher um vice que possua viabilidade eleitoral e capacidade de angariar votos de setores ainda não convertidos”, conclui Wender.
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