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Cerveja engorda? Especialistas esclarecem mitos, consumo ideal e como evitar a ressaca

João
04/04/2026, 06:12
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Cerveja engorda? Especialistas esclarecem mitos, consumo ideal e como evitar a ressaca
Nos últimos anos, o mercado de cerveja artesanal tem experimentado um crescimento significativo, conquistando cada vez mais consumidores. Foto: Divulgação.

Mestre cervejeiro premiado e nutricionista explicam efeitos da bebida, temperatura correta e estratégias de harmonização

As dúvidas que cercam o universo da cerveja — do ganho de peso à temperatura ideal de consumo — encontram respostas técnicas na visão de Thiago Wild. Eleito o melhor mestre cervejeiro do país pelo Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC), o especialista gaúcho à frente da Salva Craft Beer desmistifica conceitos populares e aponta a consistência produtiva como o pilar para o reconhecimento global da marca, que se consolidou como a mais premiada do mundo em 2025.

Segundo Wild, o sucesso de uma boa experiência com a bebida depende tanto da qualidade do insumo quanto do comportamento do consumidor, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio calórico e à saúde.

Saúde e bem-estar: O mito da “barriga de cerveja”

Uma das maiores preocupações dos apreciadores é o impacto da bebida na balança. No entanto, Thiago Wild esclarece que a cerveja, isoladamente, não é o vilão do ganho de peso, mas sim o contexto dietético do indivíduo. A afirmação é corroborada pela nutricionista Antonia Cunha, que destaca o excesso como o real problema.

“O que engorda é consumir mais calorias do que se gasta”, explica o mestre cervejeiro Thiago Wild.

Para quem deseja evitar o mal-estar do dia seguinte, a regra de ouro é a manutenção do índice hídrico. A ressaca, fruto da desidratação e da metabolização do álcool, pode ser mitigada com o consumo intercalado de água ou isotônicos, que repõem sais minerais essenciais.

A arte da harmonização: Semelhança, corte e complementação

Elevar a experiência gastronômica com a cerveja exige técnica. Wild detalha três métodos fundamentais para combinar o rótulo ideal com cada prato:

  1. Semelhança: Alinhamento de notas gustativas, como servir uma cerveja com toques de chocolate para acompanhar uma sobremesa de cacau.
  2. Corte (Contraste): Ideal para pratos gordurosos. O amargor e a carbonatação de uma IPA, por exemplo, “limpam” o paladar após o consumo de uma costela.
  3. Complementação: Quando a junção da bebida e do alimento cria um sabor inédito. Unir uma Sour de amora a uma cheesecake tradicional simula o sabor de uma cobertura de frutas vermelhas.

Diferenças técnicas e temperatura de serviço

A confusão entre chope e cerveja é comum, mas reside basicamente no processo de pasteurização. Enquanto a cerveja passa por tratamento térmico para durar até um ano, o chope é um produto “vivo”, com validade curta e necessidade de refrigeração constante.

Quanto ao hábito de consumir a bebida “estupidamente gelada”, o especialista faz um alerta: temperaturas excessivamente baixas anestesiam as papilas gustativas, impedindo a percepção de aromas complexos. O ideal é o armazenamento entre 0°C e 5°C, permitindo que a complexidade dos maltes e lúpulos se manifeste.

Democratização da cerveja artesanal em 2026

O Rio Grande do Sul se mantém como um dos principais polos cervejeiros do país, e a estratégia da Salva Craft Beer tem sido romper a barreira do preço. Com presença em 16 mil pontos de venda, a marca utiliza a economia de escala para competir com gigantes do setor.

“Hoje, o maior segredo nosso é volume e negociação de preços de insumos. Com volume, a gente consegue preços bons”, detalha Wild, reforçando que a consistência e a alta produção permitem oferecer um produto artesanal de elite a valores competitivos para o grande público.

(Fonte: G1)

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