Ordem militar impede operação de veículos da Nação Media Group
Na última sexta-feira (26/06), o Exército ugandense, liderado pelo general Muhoozi Kainerugaba — filho do presidente Yoweri Museveni —, executou o fechamento compulsório dos principais veículos de comunicação do país. Soldados armados foram posicionados na sede do jornal Daily Monitor, na capital Kampala, enquanto as emissoras NTV e Spark TV tiveram suas transmissões interrompidas. Todos os veículos afetados pertencem ao Nation Media Group, conglomerado de mídia com influência em toda a África Oriental.
Declarações do general revelam postura antidemocrática
Em publicações na plataforma X, o general Kainerugaba deixou claro seu desprezo pela liberdade de imprensa ao afirmar: ‘NÃO acredito em uma imprensa livre! A mídia deve ser guiada por quadros da revolução.’. A fala, que ecoa discursos típicos de regimes autoritários, reforça as acusações de organizações de direitos humanos sobre o caráter repressivo do governo ugandense, do qual o general é figura central.
Contexto político: sucessão e controle da informação
O episódio ocorre em um momento de crescente tensão na Uganda, onde o presidente Museveni, 81 anos e no poder há quatro décadas, foi reeleito em janeiro de 2026 em eleições contestadas. Analistas apontam que o líder estaria preparando seu filho, o general Kainerugaba, como sucessor, o que explicaria a escalada de medidas para silenciar críticas e controlar o fluxo de informações no país. Enquanto apoiadores do regime destacam a estabilidade econômica sob o governo Museveni, a comunidade internacional e grupos opositores veem no fechamento de meios independentes um novo capítulo de autoritarismo.
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