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Bolsonaro solicita ao STF que descarte falta grave por arma apreendida e mantenha prisão domiciliar

João
28 de junho de 2026 às 07:48
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Bolsonaro solicita ao STF que descarte falta grave por arma apreendida e mantenha prisão domiciliar

© Getty Images

Defesa sustenta que armamento tinha registro regular, permanecia na residência do ex-presidente e foi retirado apenas para reparo mecânico

Defesa pede rejeição de falta disciplinar

 

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou, no sábado (27), uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o ministro Alexandre de Moraes não reconheça a existência de falta grave em razão da apreensão de uma arma de fogo pertencente ao ex-chefe do Executivo. Os advogados também requerem a manutenção da prisão domiciliar humanitária atualmente cumprida por Bolsonaro.

No documento encaminhado ao Supremo, os defensores afirmam que a pistola estava devidamente registrada e permanecia guardada na residência do ex-presidente desde antes da condenação imposta pelo STF. Segundo a argumentação, o armamento foi retirado temporariamente do imóvel por um dos seguranças de Bolsonaro apenas para que fosse submetido a reparos após apresentar um problema de funcionamento.

Ainda de acordo com a defesa, em nenhum momento houve determinação judicial para apreensão da arma, tampouco comunicação oficial sobre eventual cancelamento do registro do equipamento.

PGR defendeu aguardar conclusão das investigações

Na última quinta-feira (25), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se no processo afirmando que a posse da arma, por si só, não caracteriza falta disciplinar capaz de justificar mudanças no regime de cumprimento da pena. Para o chefe da Procuradoria-Geral da República, o mais adequado é aguardar a conclusão das investigações antes de qualquer decisão definitiva sobre a permanência de Bolsonaro em prisão domiciliar.

A definição caberá ao ministro Alexandre de Moraes, que deverá decidir se mantém o ex-presidente em prisão domiciliar ou determina seu retorno à unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília.

Ao solicitar parecer da PGR anteriormente, Moraes havia destacado que a apreensão do armamento poderia configurar uma “falta grave” e, consequentemente, justificar “a cessação da prisão domiciliar” do ex-presidente, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.

Arma foi apreendida durante blitz no Distrito Federal

A pistola Glock calibre 9 milímetros, registrada em nome de Bolsonaro, foi apreendida em 15 de junho durante uma fiscalização da Polícia Militar do Distrito Federal. Na ocasião, a arma estava com o militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e responsável pela segurança do ex-presidente.

A abordagem ocorreu quando o militar trafegava a aproximadamente 33 quilômetros da residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

Na petição apresentada ao STF, os advogados sustentam que não houve qualquer tentativa de ocultar o armamento ou dificultar a fiscalização por parte das autoridades.

“Não houve ocultação do armamento, adulteração de registro, emprego de expediente destinado a frustrar a fiscalização estatal ou qualquer conduta voltada a impedir a identificação de sua origem ou titularidade. Ao contrário, a propriedade da arma foi imediatamente reconhecida e jamais constituiu circunstância desconhecida ou clandestina”, escreveu a defesa no documento.

Bolsonaro confirmou ser o proprietário da pistola

Durante depoimento prestado à Polícia Civil do Distrito Federal na terça-feira (23), Jair Bolsonaro reconheceu ser o proprietário da pistola apreendida. Segundo o ex-presidente, ao identificar uma falha mecânica no equipamento, determinou que seu segurança providenciasse o conserto da arma.

O episódio também é alvo de investigação em inquérito instaurado pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Na manifestação encaminhada ao STF, a defesa conclui que não houve intenção nem negligência por parte de Bolsonaro para descumprir decisões judiciais. Por esse motivo, solicita que Alexandre de Moraes afaste o reconhecimento de falta grave e autorize a continuidade da prisão domiciliar humanitária.

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