Déficit de R$ 1,2 bilhão e dívida bruta de R$ 4,1 bi impulsionam decisão judicial
A Casas Bahia (BHIA3) ingressou com pedido de recuperação judicial na noite de domingo (16), após aprovação do Conselho de Administração e protocolo no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. A decisão ocorre em um cenário de dívida bruta de R$ 4,1 bilhões no primeiro semestre de 2026 — valor que supera em 10% o total registrado no balanço anterior —, com caixa e contas a receber de R$ 2,9 bilhões, resultando em um déficit de R$ 1,2 bilhão.
Prejuízo de R$ 11 bilhões no ano e endividamento familiar pressionam varejista
A companhia acumulou prejuízo de R$ 11 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, uma deterioração de 1.061% em relação ao mesmo período de 2025, quando o rombo havia sido de R$ 963 milhões. O resultado de 2025 já havia sido negativo em R$ 3 bilhões, consolidando um ciclo de perdas crescentes. Especialistas apontam como principais vetores desse cenário a combinação de despesas financeiras elevadas — em ambiente de juros altos — e a retração do consumo das famílias, cujas dívidas comprometem a capacidade de pagamento.
Recuperação extrajudicial de 2024 não foi suficiente para conter a crise
O pedido de recuperação judicial de 2026 sucede uma tentativa anterior de reestruturação, conduzida por meio de recuperação extrajudicial em 2024. Na ocasião, a empresa buscou renegociar dívidas com credores sem recorrer ao Judiciário, mas os resultados não se mostraram duradouros. Agora, com a saúde financeira ainda mais deteriorada, a administração opta pela via judicial como estratégia para evitar a falência e tentar reequilibrar as contas.




