Projeção histórica: EVs dominam um terço do mercado global
Em 30 de maio de 2026, dados da Global EV Outlook 2026, relatório anual da Agência Internacional de Energia (IEA), revelam que as vendas de veículos elétricos (EVs) devem representar 29,5% do total de automóveis comercializados no mundo até o fim do ano — um salto significativo em relação aos 20% registrados em 2025. A projeção de 23 milhões de EVs vendidos em 2026 consolida a trajetória de substituição dos motores a combustão, com a China mantendo sua hegemonia: as montadoras chinesas respondem por 60% da produção global, enquanto Europa e Estados Unidos dividem cerca de 15% cada.
Contradições no mercado: queda global, mas crescimento excepcional na América Latina
No primeiro trimestre de 2026, as vendas globais de veículos caíram 8% em comparação ao mesmo período de 2025, reflexo de crises econômicas em diversos mercados. Contudo, a América Latina apresentou um crescimento de 75% nas vendas de EVs neste período, impulsionado por políticas de incentivo fiscal em países como Brasil e México, além da chegada de modelos mais acessíveis. Enquanto isso, mercados como a China e a Europa registraram desaceleração moderada, mas ainda com taxas de adoção superiores à média global.
Custos em queda e futuro da frota global
A competitividade dos EVs está diretamente ligada à redução de custos: baterias mais baratas e incentivos governamentais tornaram esses veículos até 20% mais acessíveis em 2026 em comparação a 2024. Segundo a IEA, mesmo sem novas políticas até 2035, a frota global de EVs (excluindo veículos de duas e três rodas) deve atingir 510 milhões de unidades — mais de seis vezes o volume atual de 80 milhões. Esta expansão redefine a matriz energética do transporte, com implicações diretas para as indústrias automobilística, energética e de mineração.
O Brasil no contexto da revolução elétrica
Embora o Brasil ainda represente menos de 5% das vendas globais de EVs, o crescimento de 75% no primeiro trimestre de 2026 sinaliza um ponto de inflexão. A chegada de modelos como o Hyundai Kona Electric e a instalação de 127 novos postos de recarga em 2025 — com previsão de 500 até 2027 — indicam que o país caminha para uma frota de 2 milhões de EVs até 2030. No entanto, desafios persistem: a dependência de importações de baterias e a necessidade de uma malha elétrica robusta exigem investimentos urgentes para evitar gargalos.




