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Brasil pode dominar cadeia global de terras raras até 2040, mas precisa superar gargalos industriais

Redação
3 de julho de 2026 às 06:24
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Brasil pode dominar cadeia global de terras raras até 2040, mas precisa superar gargalos industriais

Fundição de terras raras • 31/10/2010. David Gray/File Photo/REUTERS/

Uma pesquisa recente identificou recursos potenciais para a participação na cadeia global de valor, porém, os desafios industriais podem representar obstáculos significativos para alcançar esse objetivo

 

O Brasil está diante de uma oportunidade histórica para ingressar no seleto grupo de países que dominam a cadeia global de terras raras — minerais críticos para tecnologias como semicondutores, veículos elétricos e energias renováveis. Um estudo inédito, apresentado durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), realizado na última quarta-feira (1º de julho de 2026) no Rio de Janeiro, mapeia rotas estratégicas para o país se tornar uma potência nesse segmento até 2040.

Recursos abundantes, mas dependência de etapas industriais

A pesquisa, intitulada “Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040” e encomendada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), confirma que o país detém reservas minerais capazes de sustentar uma produção competitiva. No entanto, o valor econômico desses elementos não está no minério bruto, mas nas fases avançadas de transformação — refino e metalurgia — dominadas atualmente por China, Austrália e Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, o Brasil precisa urgentemente desenvolver capacidades industriais endógenas para extrair o máximo potencial desses recursos. “A disponibilidade de terras raras no subsolo é apenas o primeiro passo. O desafio é construir uma cadeia produtiva integrada, desde a mineração até a fabricação de componentes de alto valor agregado”, afirmou um dos coordenadores do estudo, durante o evento.

Amazônia como reserva estratégica de longo prazo

A região amazônica emerge como um dos principais ativos do Brasil nesse contexto, graças às suas argilas de adsorção iônica — um tipo de jazida que permite extração mais sustentável e economicamente viável. O estudo destaca que esses depósitos podem funcionar como uma reserva de longo prazo, capaz de sustentar a demanda global por décadas, desde que haja investimentos em logística e tecnologias de processamento.

Além disso, o documento propõe um roteiro de 15 anos para orientar políticas públicas, atrair investimentos privados e fomentar a inovação tecnológica. Entre as recomendações, estão: incentivos fiscais para empresas de refino, parcerias com universidades para formação de mão de obra especializada e acordos internacionais para garantir acesso a mercados consumidores.

Risco de perder a janela de oportunidade

Apesar do otimismo técnico, os especialistas alertam para o risco de o Brasil não agir com a velocidade necessária. “O mundo está em uma corrida por terras raras, e quem não se estruturar agora ficará para trás. A China já domina mais de 60% da produção global, e a Europa está investindo pesadamente em reciclagem e substitutos. O Brasil precisa definir prioridades”, avaliou um analista do setor, que participou da elaboração do estudo.

O próximo passo será a apresentação formal dos resultados ao MCTI, que deverá incorporar as diretrizes do estudo ao Plano Nacional de Terras Raras, cuja implementação está prevista para iniciar ainda em 2026. A expectativa é que, até 2030, o país já possa ter os primeiros projetos piloto em operação, reduzindo a dependência externa de insumos essenciais para a transição energética.

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