As bolsas europeias encerraram a sessão desta quarta-feira (20) com fortes ganhos, impulsionadas pela reabertura parcial do Estreito de Ormuz — principal via de escoamento de petróleo do mundo — e pela expectativa de um cessar-fogo iminente no Oriente Médio. O otimismo, no entanto, permanece cauteloso diante da fragilidade das negociações diplomáticas e dos riscos inflacionários que ainda pairam sobre o continente.
O Estreito de Ormuz e o pulso geopolítico que move os mercados
A reabertura da rota, ainda que parcial, reduziu temporariamente o temor de um colapso no fornecimento de petróleo, cenário que poderia pressionar os preços e agravar a inflação na Europa. O Estreito, por onde transitam cerca de 20% do petróleo global, havia sido alvo de tensões recentes após ameaças do Irã de bloquear a passagem em resposta a sanções internacionais.
Nesta quarta, fontes próximas ao Paquistão informaram que o país deve apresentar, nesta quinta-feira (21), uma versão final do acordo entre Estados Unidos e Irã, com o objetivo de pavimentar um cessar-fogo antes de novas rodadas presenciais. O documento, ainda não confirmado oficialmente, é visto como um passo crucial para estabilizar a região e, consequentemente, os mercados.
Europa em alerta: juros e inflação sob a lupa dos bancos centrais
Enquanto os índices avançavam, autoridades monetárias europeias reforçaram o discurso de cautela. O Banco da Inglaterra (BoE) destacou que o atual momento exige vigilância redobrada diante dos riscos inflacionários, que ainda não foram totalmente debelados. Já um membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) sugeriu a possibilidade de novo aperto monetário caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, o que poderia manter os preços do petróleo elevados e, por tabela, a inflação acima da meta.
O cenário é especialmente delicado para economias como a alemã, fortemente dependente de energia barata, e para a França, onde o déficit comercial já sofre pressão com os custos energéticos. A volatilidade nos preços do petróleo, mesmo com a reabertura de Ormuz, mantém os investidores em estado de alerta.
Setores corporativos: tecnologia e bancos lideram a alta, mas com nuances
Entre os destaques setoriais, o setor de tecnologia europeu subiu 3,1%, impulsionado pela expectativa em torno do balanço trimestral da Nvidia, que deve ser divulgado nos próximos dias. A gigante holandesa ASML, fornecedora de equipamentos para semicondutores, avançou 6,6% após analistas revisarem para cima suas projeções para o setor, diante da demanda crescente por chips.
No segmento bancário, o movimento foi misto. Enquanto o Commerzbank (Alemanha) e o UniCredit (Itália) registraram alta de 3% e 2,4%, respectivamente, a disputa pela aquisição do Commerzbank pela UniCredit gerou reações no mercado. A CEO do banco alemão, Ursula Köhler, recomendou aos acionistas que rejeitem a proposta italiana, alegando que a operação não traria benefícios claros para os acionistas. O embate ainda deve se estender nas próximas semanas.
Os números que definiram a sessão europeia
Os principais índices do continente fecharam em alta, embora com desempenhos heterogêneos:
- FTSE 100 (Londres): +0,99%, aos 10.432,34 pontos;
- DAX (Frankfurt): +1,36%, aos 24.732,28 pontos;
- CAC 40 (Paris): +1,70%, aos 8.117,42 pontos;
- FTSE MIB (Milão): +1,71%, aos 49.181,66 pontos;
- Ibex 35 (Madri): +2,16%, aos 18.051,70 pontos;
- PSI 20 (Lisboa): +0,96%, aos 9.247,99 pontos.
Os dados, ainda preliminares, refletem um dia de otimismo moderado, mas com a ressalva de que a trajetória dos mercados depende diretamente da evolução do conflito e das decisões dos bancos centrais nas próximas semanas.




