O envelhecimento biológico pode ser freado não apenas por exercícios físicos, mas também pela participação ativa em artes e cultura, segundo um estudo pioneiro conduzido pelo University College London (UCL)
A pesquisa, publicada na revista Innovation in Ageing na última segunda-feira (11), analisou dados de sete diferentes “relógios de envelhecimento” — sistemas que avaliam o acúmulo de biomarcadores para determinar a idade biológica de um indivíduo — em uma amostra de mais de 3.500 adultos britânicos.
Arte como ferramenta antienvelhecimento: a ciência por trás do fenômeno
A coautora do estudo, Feifei Bu, pesquisadora do departamento de Ciências Comportamentais do UCL, destacou à CNN que tanto a frequência quanto a diversidade das experiências culturais influenciam diretamente na redução do envelhecimento biológico. “Teoricamente, uma das formas pelas quais as artes podem afetar a saúde é por meio de processos biológicos”, afirmou Bu em comunicado oficial na terça-feira (12). “Nosso estudo fornece as primeiras evidências que apoiam essa hipótese.”
A igualdade de efeitos entre cultura e exercício físico
Os resultados surpreenderam os pesquisadores ao revelar que os benefícios das artes no combate ao envelhecimento são comparáveis aos proporcionados pela atividade física. Bu explicou que as artes englobam uma ampla gama de atividades, cada uma com “ingredientes ativos” distintos: desde a estética e a estimulação sensorial até a interação social e o movimento físico (como dança ou teatro). “Os efeitos foram estatisticamente semelhantes”, afirmou a pesquisadora.
Quem mais se beneficia: adultos de meia-idade e idosos lideram os resultados
Os dados, ajustados para variáveis como renda e fatores socioeconômicos, mostraram que os maiores impactos foram observados em indivíduos com 40 anos ou mais. “As artes parecem ter um papel especialmente relevante no envelhecimento saudável dessa faixa etária”, declarou Bu. A pesquisadora ressaltou ainda que a escolha da atividade cultural deve ser personalizada: “O que funciona para uma pessoa pode não ser ideal para outra. O importante é a consistência e o prazer no engajamento”.
Implicações para a saúde pública: um novo capítulo na prevenção do envelhecimento
Além de reforçar o vínculo entre cultura e saúde — já documentado em estudos anteriores sobre cognição, depressão e redução da mortalidade —, esta pesquisa abre caminho para que as artes sejam integradas a políticas públicas de saúde. “Nossos achados demonstram o valor potencial de incorporar programas culturais em estratégias de promoção da saúde”, afirmou Bu. A equipe do UCL já planeja expandir a análise para outros países e populações, além de investigar como o engajamento cultural pode influenciar outros marcadores biológicos, como inflamação e função imunológica.
Para especialistas não envolvidos no estudo, os resultados reforçam a necessidade de repensar abordagens de envelhecimento ativo. “É uma evidência robusta de que a cultura não é apenas um luxo, mas uma ferramenta de saúde pública”, declarou o Dr. Paulo Mendes, geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo.




