Avanço das investigações da Polícia Federal provoca tensão entre aliados do bolsonarismo e dirigentes partidários após revelações sobre repasses milionários atribuídos ao grupo financeiro
PF amplia apuração e preocupa aliados de Flávio Bolsonaro
A ofensiva da Polícia Federal sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master provocou forte repercussão nos bastidores políticos de Brasília e ampliou a pressão sobre figuras ligadas ao Centrão e ao núcleo bolsonarista. Após a operação que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), interlocutores próximos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a demonstrar preocupação com a possibilidade de novos desdobramentos da investigação alcançarem outros aliados políticos.
Entre os nomes citados no inquérito aparece o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, que teria recebido R$ 6,4 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro por meio de um escritório de advocacia. Em manifestação pública, Rueda afirmou que os valores correspondem à prestação de serviços jurídicos e consultivos.
Segundo a nota divulgada por sua defesa, o escritório produziu “dezenas de pareceres e centenas de reuniões” para o Banco Master. O dirigente partidário também reconheceu ter mantido “contatos sociais eventuais, como ocorre com diversas pessoas do meio político e empresarial”.
Conversas interceptadas reforçam elo entre empresários e políticos
Mensagens obtidas pelos investigadores indicariam proximidade entre Daniel Vorcaro e integrantes da cúpula política nacional. Transcrições atribuídas a diálogos entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o banqueiro mostram referências diretas a Antônio Rueda.
De acordo com documentos analisados pela PF, Rueda e Ciro Nogueira chegaram a utilizar um helicóptero pertencente a Vorcaro para participar do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1. A viagem teria sido identificada em e-mails interceptados no curso das investigações.
As apurações também apontam que Paulo Henrique Costa teria atuado como intermediador do contato entre o dirigente do União Brasil e o empresário.
Nos bastidores políticos, relatos publicados pela imprensa nacional indicam que Rueda teria comentado com interlocutores a expectativa de ganhos bilionários relacionados à negociação envolvendo o BRB e o Banco Master.
ACM Neto também aparece entre beneficiários de repasses
Outro nome citado nas investigações é o do ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto. Segundo informações baseadas em dados da Receita Federal, empresas ligadas ao político teriam recebido R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag Investimentos, empresa associada a Fabiano Zettel, apontado como cunhado de Daniel Vorcaro.
Os pagamentos teriam ocorrido entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto afirma que os valores correspondem a serviços de consultoria regularmente contratados.
Esquema teria financiado rede de influência política e midiática
As investigações sobre o Banco Master passaram a apontar a existência de uma ampla estrutura de influência formada por políticos, ex-ministros, consultores, empresários da comunicação e operadores ligados ao mercado financeiro.
Segundo dados atribuídos à Receita Federal, os repasses realizados por Daniel Vorcaro cresceram de R$ 1,53 milhão, em 2023, para R$ 41,7 milhões em 2025. O total movimentado no período ultrapassaria R$ 65 milhões.
A Polícia Federal e órgãos de controle investigam se parte desses pagamentos tinha como objetivo garantir apoio institucional, influência política e articulações favoráveis aos interesses do banco em Brasília.
Ex-ministros, empresários e integrantes do Judiciário aparecem nas investigações
Entre os nomes citados nos relatórios estão o ex-presidente Michel Temer (MDB), os ex-ministros Henrique Meirelles, Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, além do advogado Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro.
Também aparecem nas investigações empresas de comunicação e personalidades do meio televisivo e digital, incluindo o portal Metrópoles, o apresentador Ratinho e o jornalista Leo Dias.
Em praticamente todos os casos, os citados afirmam que os pagamentos decorreram de contratos legais de consultoria, publicidade, assessoria jurídica ou prestação de serviços profissionais.
Banco Master entrou em colapso após pressão regulatória
O avanço da crise envolvendo o Banco Master ocorreu após o endurecimento das medidas regulatórias adotadas pelo Banco Central durante a gestão de Gabriel Galípolo. A instituição financeira acabou liquidada em novembro de 2025, um dia após Daniel Vorcaro ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Malta com destino final em Dubai.
As investigações passaram a examinar a atuação política em torno de propostas legislativas consideradas favoráveis ao modelo de negócios do banco, incluindo mudanças relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Uma das principais iniciativas sob análise é a chamada “emenda do Master”, atribuída ao senador Ciro Nogueira, que ampliava a cobertura do FGC e, segundo investigadores, beneficiaria diretamente a estratégia de captação financeira da instituição.
Congresso, Banco Central e partidos entram no radar da investigação
O inquérito também passou a analisar a atuação de lideranças políticas e dirigentes partidários que teriam exercido pressão institucional sobre órgãos de fiscalização e regulação.
Entre os nomes mencionados estão Arthur Lira (PP-AL), Davi Alcolumbre (União-AP), Cláudio Cajado (PP-BA), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Filipe Barros (PL-PR) e Nikolas Ferreira (PL-MG).
Os investigadores buscam identificar se houve articulação coordenada para influenciar decisões do Banco Central, proteger interesses do Banco Master ou reduzir o impacto institucional das apurações em andamento.
Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas ao caso. As investigações seguem em curso sob responsabilidade da Polícia Federal e de órgãos de controle financeiro e fiscal.
( Com Revista Fórum – Caso Master: além de Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro teme que outro aliado que recebeu R$ 6 milhões de Vorcaro seja alvo da PF )
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