Imunizantes da Eurofarma e do Instituto Butantan Utilizam Tecnologias Distintas e Prometem Reforçar a Proteção Sanitária Nacional
Avanço regulatório e perfil das novas vacinas em avaliação
Autoridades de saúde intensificam medidas contra a chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e presente no Brasil desde 2014. Com o avanço dos registros, a busca por vacinas eficazes tornou-se prioridade. Novos imunizantes da Eurofarma e do Instituto Butantan já estão em análise ou receberam autorização da Anvisa, representando diferentes abordagens tecnológicas: partículas semelhantes ao vírus (VLP) e vírus vivo atenuado. Apesar dos avanços, o controle do vetor continua sendo essencial.
Eurofarma apresenta vacina com partículas VLP
Em junho, a Eurofarma submeteu à Anvisa o imunizante “CHIKV VLP”, já aprovado em países como Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Suíça e Canadá. Aplicada em dose única, a vacina utiliza partículas que imitam a estrutura externa do vírus, sem material genético, estimulando a produção de anticorpos sem risco de infecção.
Butantan inicia produção com vírus vivo atenuado
Em maio, o Instituto Butantan recebeu autorização para produzir a Butantan-CHIK, desenvolvida em parceria com a farmacêutica Valneva. Indicada para pessoas de 18 a 59 anos, a vacina utiliza vírus vivo atenuado. “A repercussão clínica é muito desagradável e pode, em algumas circunstâncias, retirar a pessoa do trabalho ou de outras atividades”, explica o infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, reforçando a importância da imunização.
Impacto da chikungunya no Brasil
Em 2025, o país registrou 129.123 casos prováveis, com 107.975 confirmações e 121 mortes, segundo a Opas. O aumento de casos levou cidades como Dourados (MS) a decretar emergência. O Ministério da Saúde informou que a vacinação ocorre em caráter piloto, conduzida pelo Butantan em parceria com a pasta, abrangendo municípios de seis estados e com cerca de 48 mil doses aplicadas.
Diferenças entre as tecnologias
A CHIKV VLP não contém vírus vivo, sendo considerada mais segura para idosos e imunossuprimidos. “A gente tem um pouco de cuidado com a vacinação de indivíduos de 60 anos ou mais com vacinas de vírus vivos”, observa o pediatra infectologista Renato Kfouri. Já a Butantan-CHIK segue o modelo da Ixchiq, primeira vacina contra a doença aprovada mundialmente, mas com restrições para gestantes e imunodeficientes. O infectologista Julio Croda destaca: “É importante ter essa capacidade de produção nacional para eventualmente vacinar a população”.
Pesquisas exploram novas abordagens
Pesquisadores da USP e da Universidade de Bonn desenvolvem uma terceira candidata, ainda em fase pré-clínica. O vírus foi geneticamente modificado para impedir sua maturação, reduzindo o risco de replicação. Em testes com camundongos, todos os vacinados sobreviveram à exposição ao vírus selvagem, enquanto os não imunizados morreram em até três dias. Os resultados foram publicados na NPJ Vaccines, mas ainda não há dados sobre segurança em humanos.
Vacinação e controle do vetor
Mesmo com os avanços, especialistas ressaltam que a erradicação da chikungunya depende da combinação entre imunização e combate ao Aedes aegypti. “Nenhuma vacina é 100% eficaz, e eliminar o vetor é muito mais difícil do que vacinar a população”, afirma o infectologista do Einstein. A estratégia integrada também protege contra outras arboviroses, como a zika, e amplia a segurança para grupos vulneráveis.




