Islamabad é isolada para encontro diplomático enquanto divergências sobre cessar-fogo e programa nuclear elevam risco de escalada no Oriente Médio
A capital do Paquistão, Islamabad, foi colocada sob rígido esquema de segurança nesta sexta-feira (10), em meio à chegada de delegações de alto nível dos Estados Unidos e do Irã para uma nova rodada de negociações de paz. O encontro, mediado pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, ocorre em um cenário de instabilidade, marcado por sucessivas violações de um cessar-fogo de duas semanas anunciado no início da semana.
A tentativa de conter o conflito esbarra, sobretudo, em interpretações divergentes sobre os termos da trégua. De um lado, Irã e Paquistão defendem que o acordo previa a paralisação total das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano. De outro, Estados Unidos e Israel sustentam que o Hezbollah não estaria incluído no entendimento firmado.
A falta de consenso teve consequências imediatas. Na quarta-feira (8), um ataque israelense de grandes proporções atingiu o Líbano, deixando centenas de mortos — o episódio mais letal recente no país. Em resposta, o Irã retomou medidas rígidas de controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parte significativa do petróleo mundial.
No centro das negociações está ainda o impasse em torno do programa nuclear iraniano. Teerã insiste na adoção de um “plano de dez pontos”, que inclui o direito ao enriquecimento de urânio — condição que autoridades iranianas afirmam ter sido aceita pelos Estados Unidos. A versão, no entanto, foi rechaçada por Donald Trump, que reiterou a intenção de retirar completamente qualquer material nuclear do território iraniano e manter o país sob vigilância internacional.
A discrepância entre as narrativas evidencia a ausência de um entendimento mínimo entre as partes antes mesmo do início formal das conversas. A delegação norte-americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance e integrada por nomes influentes como Jared Kushner e Steve Witkoff, tem chegada prevista apenas para sábado (11).
Enquanto se posiciona como mediador, o Paquistão também enfrenta ruídos diplomáticos, após declarações controversas entre integrantes de seu governo e autoridades israelenses.
O encontro ocorre sob um clima de desconfiança mútua e ameaças veladas. De um lado, Trump já afirmou que poderá “fazer o petróleo fluir à força”. De outro, o Irã sinaliza a possibilidade de impor novas tarifas à navegação no Estreito de Ormuz.
Mais do que um avanço concreto rumo à paz, a reunião em Islamabad se apresenta, neste momento, como uma tentativa de evitar o agravamento de uma crise que ameaça extrapolar fronteiras e envolver diretamente grandes potências militares.
O resultado das negociações deverá indicar se ainda há espaço para a diplomacia conter o avanço das tensões ou se o Oriente Médio caminha para um novo e mais amplo ciclo de confrontos.
