Em carta de demissão, ex-ministro cita “limitações políticas e orçamentárias”; secretário-executivo assume o comando da pasta temporariamente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou, em edição do Diário Oficial da União, a exoneração de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para assegurar a continuidade dos trabalhos, foi nomeado de forma interina Manoel Carlos de Almeida Neto, que ocupava o cargo de secretário-executivo e é figura de confiança do agora ex-ministro.
Lewandowski, que assumiu o posto em fevereiro de 2024 após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), entregou sua carta de demissão na última quinta-feira (8). No documento, o magistrado fez um balanço de sua gestão, afirmando ter a “convicção” de que exerceu “as atribuições do cargo com zelo e dignidade”. Entretanto, o texto não poupou observações sobre as dificuldades da máquina pública, mencionando explicitamente as “limitações políticas, conjunturais e orçamentárias” que marcaram sua passagem pela Esplanada.
Perfil técnico na transição
A escolha de Manoel Carlos para a interinidade sinaliza uma transição técnica e de continuidade. Doutor em Direito do Estado pela USP, o novo comandante interino possui um currículo sólido nos tribunais superiores, tendo servido como secretário-geral da presidência tanto no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Oficialmente, Lewandowski alegou “razões de caráter pessoal e familiar” para deixar o primeiro escalão do governo. Sua saída abre caminho para que o Palácio do Planalto avalie nomes para a sucessão definitiva, em um momento em que a Segurança Pública permanece como um dos temas mais sensíveis da agenda federal.



