Zuckerberg afirma que é “hora de resgatar nossas raízes na liberdade de expressão” e critica o sistema de checagem de fatos por ter “muitos erros e excesso de censura”
A Meta, empresa responsável pelas redes sociais Facebook, Instagram e Threads, anunciou nesta terça-feira uma revisão significativa em suas práticas de moderação de conteúdo. O principal destaque foi o encerramento do programa de checagem de fatos (fact-checking), implementado há oito anos com o objetivo de combater a desinformação nas plataformas da empresa. Esta mudança ocorre em um momento de reposicionamento da Meta, particularmente após o retorno de Donald Trump à cena política nos Estados Unidos.
Agora, ao invés de contar com organizações de checagem de fatos independentes, a Meta passará a depender de seus usuários para identificar e corrigir publicações que possam conter informações incorretas ou enganosas. Esse modelo, conhecido como Notas de Comunidade, já é utilizado pelo X (anteriormente Twitter), de Elon Musk.
Em suas redes sociais, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou a substituição dos verificadores de fatos por notas de usuários e declarou que o sistema de checagem de fatos vigente havia se tornado ineficaz, com “muitos erros e censura excessiva”. Ele ainda destacou que era hora de retomar a ênfase na liberdade de expressão, reforçando a mudança como parte de um movimento mais amplo em direção à preservação desse direito.
No Brasil, a decisão gerou reações, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressando preocupação com a mudança e ressaltando que o mundo está passando por um momento de tensões ideológicas. Em um tom crítico, Zuckerberg também se referiu a “tribunais secretos” na América Latina, uma alusão indireta ao Brasil, mencionando o fato de que em alguns países, como na região, há mecanismos de censura que permitem a retirada silenciosa de conteúdos das redes sociais, sem transparência.
O CEO da Meta comparou o cenário de liberdade de expressão nos EUA com o de outros locais, afirmando que os Estados Unidos oferecem as “proteções constitucionais mais fortes” para esse direito, ao contrário de regiões como a Europa, onde há um aumento de legislações que dificultam a inovação. Além disso, ele mencionou a China, que impõe severas restrições aos aplicativos de redes sociais.
Essa mudança ocorre em um contexto no qual a Meta busca aproximar-se dos aliados de Trump, um movimento também refletido nas ações recentes da empresa. Zuckerberg, por exemplo, se reuniu com Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, e a Meta fez uma doação significativa para eventos de apoio ao ex-presidente. Além disso, ele promoveu Joel Kaplan, um executivo com fortes laços com o Partido Republicano, a um cargo de destaque, e anunciou a chegada de Dana White, chefe do UFC e aliado de Trump, ao conselho da empresa.
O programa de checagem de fatos foi criado após a vitória de Trump em 2016, em resposta às críticas pela disseminação de desinformação nas redes sociais, especialmente envolvendo interferências externas nas eleições dos EUA. Desde então, a Meta contratou organizações como Associated Press e Snopes para realizar a verificação de conteúdos questionáveis.
Zuckerberg também revelou mudanças adicionais, como a remoção de restrições sobre temas como imigração e gênero, considerados por ele como desconectados do debate predominante. Ele afirmou ainda que a equipe de revisão de conteúdo será transferida para o Texas, como uma medida para reduzir preocupações sobre possíveis vieses de funcionários na moderação de postagens.