Procedimento foi autorizado pela Justiça e integra iniciativa que envolve memória e homenagens ao grupo que marcou os anos 1990
Trinta anos após o acidente aéreo que interrompeu precocemente uma das trajetórias mais fulminantes da música brasileira, os corpos dos integrantes da banda Mamonas Assassinas foram exumados no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP). A medida, conduzida sob protocolos de respeito e privacidade, integra um novo projeto que busca consolidar o acervo histórico do grupo e viabilizar futuras homenagens póstumas, mantendo viva a irreverência de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Sérgio Reoli e Júlio Rasec.
A exumação, que é um procedimento padrão após determinado período de sepultamento, ganhou contornos de interesse público devido ao impacto cultural duradouro que o quinteto exerce sobre diferentes gerações.
O Projeto: Preservação da “Mamonasmania”
A iniciativa, apoiada por familiares e detentores dos direitos da marca, não visa apenas a manutenção dos jazigos, mas faz parte de um esforço de curadoria histórica. O objetivo é catalogar e documentar elementos que possam integrar memoriais ou exposições imersivas.
Frentes do projeto de memória:
- Acervo Biográfico: Compilação de registros inéditos e restauração de itens pessoais.
- Memorial em Guarulhos: Discussões sobre a criação de um espaço de visitação que conte a história da banda, desde a formação como “Utopia” até o estrelato nacional.
- Documentação Científica: Procedimentos técnicos necessários para o manejo dos restos mortais conforme a legislação vigente e os desejos das famílias.
O impacto de 1996 e o fenômeno atemporal
O acidente na Serra da Cantareira, em 2 de março de 1996, congelou o Brasil em um estado de luto coletivo. O grupo, que fundiu rock com gêneros populares e letras satíricas, vendeu milhões de cópias em menos de um ano, tornando-se um case de sucesso único na indústria fonográfica.
“A memória dos Mamonas não pertence apenas às famílias, mas a todo o Brasil. O que estamos fazendo é garantir que esse legado seja tratado com a dignidade que eles merecem, preparando o terreno para que as próximas gerações conheçam quem foram esses cinco jovens”, afirmam fontes ligadas à organização do projeto.
Aspectos legais e éticos
O processo de exumação é cercado de cuidados para evitar a exploração sensacionalista. A administração do cemitério e as autoridades locais garantiram que apenas pessoas autorizadas tivessem acesso ao local durante os trabalhos. A legislação brasileira permite a exumação após três anos do sepultamento para adultos, visando a reorganização de espaços ou traslados, mas o peso simbólico dos Mamonas Assassinas exigiu um planejamento de segurança adicional para evitar aglomerações.



