Cardiologista avalia que interação entre medicamentos pode ter provocado mal-estar; ex-presidente passou por exames nesta quarta (7) e voltou à custódia da Polícia Federal
O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve após uma queda ocorrida enquanto caminhava, informou nesta quarta-feira (7) o médico Brasil Caiado, um dos profissionais responsáveis por seu acompanhamento clínico. Após ser submetido a exames no Hospital DF Star, em Brasília, Bolsonaro retornou à cela da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A ida ao hospital foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, permitindo que o ex-presidente deixasse temporariamente a unidade da PF para a realização de avaliação médica.
Relato do médico sobre a queda
Segundo Brasil Caiado, o episódio ocorreu durante a madrugada de terça-feira (6), dentro do quarto ocupado por Bolsonaro na superintendência da Polícia Federal.
“Na madrugada de ontem[terça-feira], o presidente apresentou uma queda dentro de seu quarto da superintendência. Inicialmente, nós pensamos que fosse uma queda da cama, mas, posteriormente, conversando com ele, relembrando fatos, isso nos leva a crer que ele levantou, tentou caminhar e caiu”, informou o médico a jornalistas.
Após os exames, Bolsonaro recebeu liberação médica e retornou à custódia da PF, localizada a poucos quilômetros do hospital particular.
Boletim confirma quadro leve
Em boletim divulgado nesta quarta-feira, o Hospital DF Star confirmou que o traumatismo foi classificado como leve e não demandou procedimentos mais complexos.
“Foi evidenciado nos exames de imagem leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica. Deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente”, diz o texto assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini.
Possível interação medicamentosa
De acordo com Brasil Caiado, a queda pode estar relacionada a episódios de desorientação, possivelmente associados à interação entre medicamentos utilizados por Bolsonaro.
“Há uma suspeita inicial e nós já havíamos imaginado, que possa ser a interação de medicamentos. O presidente faz uso de vários medicamentos para tratamento da crise de soluços. Se esses quadros forem recorrentes, colocam o presidente em uma zona de maior risco”, explicou.
Histórico recente de internação
Há menos de uma semana, Bolsonaro havia recebido alta do mesmo hospital após permanecer oito dias internado. Durante esse período, foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e a outros procedimentos destinados a controlar um quadro persistente de soluços.



