Medidas atingem suplementos, alimentos e itens de confeitaria com irregularidades que vão de ingredientes proibidos a contaminação microbiológica
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou, ao longo das últimas semanas, o conjunto de produtos proibidos ou suspensos no país após constatar riscos à saúde pública, descumprimento de normas sanitárias e uso de propaganda enganosa. As decisões, publicadas em diferentes edições do Diário Oficial da União, alcançam suplementos alimentares, alimentos industrializados e itens usados na confeitaria.
Suplementos sob suspeita
Entre os casos mais graves está o do chamado “Café de Açaí”, da marca Du Brasil, apresentado ao consumidor como suplemento alimentar. Segundo a Anvisa, o produto utilizava ingrediente não autorizado, não possuía a notificação sanitária obrigatória e tinha origem desconhecida, além de ser armazenado em condições consideradas inadequadas. A agência também identificou a veiculação de alegações terapêuticas proibidas, com promessas de tratamento para doenças como diabetes e fibromialgia. Diante do conjunto de irregularidades, foi determinada a proibição total de fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso do item.
A fiscalização alcançou ainda outros suplementos vendidos com promessas de benefícios à saúde sem respaldo científico. O Glicojax foi apreendido por divulgar supostos efeitos no controle da glicose, no sistema cardiovascular e no tratamento do diabetes, práticas vedadas para essa categoria de produto. Já o Durasil, comercializado em gotas, anunciava alívio de dores e melhora da função erétil. De acordo com a Anvisa, ambos têm fabricante e origem desconhecidos e continuavam a ser ofertados em plataformas de comércio eletrônico.
Risco na confeitaria
No segmento de confeitaria, a agência determinou a suspensão imediata de todos os lotes de glitters da marca MAGO. Embora vendidos como comestíveis, os produtos continham plásticos, resinas e pigmentos de composição não identificada. A Anvisa alertou para os riscos associados à ingestão desses materiais e ordenou o recolhimento dos itens do mercado.
Irregularidades em alimentos
A lista de produtos retirados de circulação inclui ainda um lote de azeite de oliva extra virgem da marca Campo Ourique, identificado como 288/04/2024. Conforme a agência, o produto apresentou falhas de rotulagem, origem não comprovada e desempenho insatisfatório em análises laboratoriais oficiais.
Em decisão mais recente, a Anvisa determinou a interdição cautelar do leite condensado semidesnatado da marca La Vaquita. O lote foi reprovado em teste microbiológico, que identificou níveis elevados de Estafilococos Coagulase Positiva, bactéria associada a quadros de intoxicação alimentar. O produto foi atribuído à empresa Apti Alimentos, que informou, em nota, que o item não integra seu portfólio e que houve associação indevida à marca.
Alerta ao consumidor
A Anvisa reforçou a orientação para que consumidores não utilizem produtos suspensos ou interditados e redobrem a atenção diante de rótulos que prometem cura ou tratamento de doenças. Segundo a agência, alimentos e suplementos não substituem acompanhamento médico e só devem ser consumidos quando devidamente regularizados e em conformidade com as normas sanitárias.


