Manjit Sangha passou oito meses internada, sofreu seis paradas cardíacas e chegou a ser desenganada; família arrecada recursos para próteses
Uma infecção fulminante transformou a rotina da indiana britânica Manjit Sangha, de 56 anos, em um drama hospitalar que mobilizou médicos e familiares em Wolverhampton, na Inglaterra. Após desenvolver uma sepse generalizada possivelmente desencadeada por uma lambida do cachorro da família, ela sofreu seis paradas cardíacas e precisou amputar as duas mãos e as duas pernas, abaixo dos joelhos.
Manjit recebeu alta na quarta-feira (18), depois de cerca de oito meses internada no Hospital New Cross. Durante o período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os médicos chegaram a considerar o caso irreversível. Segundo a BBC, a recuperação foi classificada como extraordinária diante da gravidade do quadro clínico.
Evolução em menos de 24 horas
Ao relatar os primeiros sinais da doença, o marido, Kam Sangha, descreveu uma progressão rápida e devastadora. Ele contou que a esposa levava uma vida ativa e trabalhava todos os dias da semana. Em 14 de julho de 2025, após um expediente comum, começou a se sentir mal. Na manhã seguinte, já estava em coma.
Antes da hospitalização, Manjit apresentou falta de ar intensa, lábios arroxeados e extremidades frias. “Como isso pode acontecer em menos de 24 horas?”, questionou Kam, ao recordar o momento em que percebeu a gravidade da situação.
De acordo com os médicos que acompanharam o caso, a sepse pode ter sido desencadeada por uma bactéria presente na saliva do animal de estimação — um contato cotidiano que, em circunstâncias raras, pode resultar em infecção sistêmica grave.

Foto: Arquivo Pessoal
O que é sepse
A sepse ocorre quando o sistema imunológico reage de forma descontrolada a uma infecção. Em vez de combater o agente infeccioso, o organismo passa a atacar os próprios tecidos e órgãos, provocando falência múltipla e risco elevado de morte.
Entre os sintomas mais comuns em adultos estão dores musculares intensas, dificuldade respiratória severa, alterações na coloração da pele e queda de pressão arterial. A evolução costuma ser rápida e exige atendimento médico imediato.
No caso de Manjit, a infecção comprometeu a circulação sanguínea nos membros, tornando as amputações necessárias para conter o avanço do quadro e preservar a vida da paciente.
Campanha para próteses
Apesar das sequelas permanentes, a alta hospitalar foi celebrada pela família e pela equipe médica. Agora, parentes e amigos organizam uma campanha de arrecadação para custear as próteses e a adaptação à nova rotina.
Até o momento, já foram arrecadadas mais de 34 mil libras esterlinas — cerca de R$ 236 mil na cotação atual — o equivalente a 37% da meta de 90 mil libras (aproximadamente R$ 627 mil).
O caso reacende o alerta de especialistas sobre a importância do diagnóstico precoce da sepse e dos cuidados com infecções aparentemente simples, sobretudo em pessoas com condições de saúde que possam comprometer a resposta imunológica.
Fonte: Portal Terra



