Enquanto taxas para empresas registram leve recuo, o custo do crédito para pessoas físicas atinge patamares críticos, impulsionado pela Selic em 15% ao ano
O fechamento de 2025 traz um cenário desafiador para o bolso dos brasileiros. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (26), houve um descolamento entre os custos de empréstimos para pessoas físicas e jurídicas. Enquanto as empresas viram uma redução média de 0,6 ponto percentual (pp) nas taxas, as famílias enfrentam juros que, em modalidades como o cartão rotativo, ultrapassam a marca dos 440% ao ano.
O raio-X das taxas: Famílias sob pressão
O aumento no custo do dinheiro para o consumidor final foi generalizado nas modalidades de crédito livre. O destaque negativo ficou com o Crédito Pessoal Não Consignado, que saltou para 106,6% ao ano, refletindo a maior percepção de risco e o custo de captação dos bancos.
Comparativo de taxas médias (novembro 2025)
| Modalidade | Taxa ao Ano (%) | Variação Mensal |
| Cartão de Crédito Rotativo | 440,5% | +0,7 pp |
| Cartão de Crédito Parcelado | 181,2% | +3,2 pp |
| Crédito Pessoal (Não Consignado) | 106,6% | +5,5 pp |
| Taxa Média Geral (Pessoa Física) | 59,4% | +0,9 pp |
| Taxa Média Geral (Empresas) | 24,5% | -0,6 pp |

Juros do crédito rotativo, do cartão de crédito, são os mais elevados. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Por que os juros continuam subindo?
A explicação reside na política monetária do Banco Central. Para conter a inflação, a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006.
- Efeito Selic: Quando a taxa básica sobe, o custo que os bancos pagam para captar recursos aumenta, o que é repassado diretamente ao consumidor.
- Spread Bancário: A diferença entre o que o banco paga e o que ele cobra subiu 0,3 pp no mês, evidenciando uma margem maior para cobrir riscos de inadimplência, que no segmento de pessoas físicas está em 4,7%.
O alerta do endividamento
Os dados do BC revelam uma preocupação estrutural: o endividamento das famílias alcançou 49,3% da renda acumulada em 12 meses. Isso significa que quase metade de tudo o que as famílias ganham já está comprometido com dívidas passadas ou financiamentos.
Mais grave ainda é o comprometimento de renda, que subiu para 29,4%. Na prática, para cada R$ 1.000,00 que entram no orçamento doméstico, cerca de R$ 294,00 são destinados apenas para pagar juros e parcelas de dívidas.
Nota Técnica: O crédito rotativo, embora tenha tido seus juros totais limitados por lei desde janeiro de 2024 (a dívida total não pode ultrapassar 100% do valor original), ainda apresenta taxas anuais nominais elevadíssimas porque a limitação foca no montante final devido, e não na taxa mensal pactuada.
Dicas para evitar o “Efeito Bola de Neve”:
- Fuja do Mínimo: Pagar o mínimo do cartão aciona o rotativo de 440,5%. Se não puder quitar o total, prefira o Cartão Parcelado (181,2%), que possui juros significativamente menores.
- Priorize o Consignado: Se precisar de dinheiro rápido, as taxas do consignado (descontado em folha) são drasticamente menores que o crédito pessoal comum.
- Negocie: Com o estoque de crédito em desaceleração, bancos podem estar mais propensos a renegociar dívidas para evitar a inadimplência.



