Netanyahu afirma que objetivo é desarmar o Hezbollah; ataques recentes aumentaram tensão na região
Início das tratativas
O governo de Israel anunciou nesta quinta-feira (9) que abrirá negociações diretas com o Líbano, após repetidos pedidos de Beirute e sob pressão dos Estados Unidos. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que as conversas terão como foco o desarmamento do Hezbollah e a construção de relações pacíficas entre os dois países.
“À luz dos repetidos pedidos do Líbano, eu instruí o gabinete ontem a começar negociações diretas o mais rapidamente possível. Elas vão focar em desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas entre Israel e o Líbano”, afirmou Netanyahu em nota oficial.
Pressão internacional e cessar-fogo
A decisão ocorre em meio à trégua firmada entre Washington e Teerã, que busca abrir espaço para negociações de paz. Segundo relatos da imprensa americana, o presidente Donald Trump teria solicitado a suspensão dos ataques israelenses ao Líbano. Apesar disso, Tel Aviv e Washington afirmaram que a luta contra o Hezbollah não está coberta pelo cessar-fogo, o que levou o Irã a ameaçar romper o acordo.
Escalada da violência
Na quarta-feira (8), Israel promoveu o maior ataque desde o início do conflito, atingindo Beirute e outras localidades. De acordo com autoridades libanesas, ao menos 254 pessoas morreram, elevando o número total de vítimas para cerca de 1.400. O Hezbollah respondeu com o lançamento de foguetes e drones contra o território israelense.
Reações regionais
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que as negociações de paz previstas para sábado (11), no Paquistão, não terão sentido se os ataques ao Líbano continuarem. Em paralelo, as Forças de Defesa de Israel emitiram alerta para que moradores dos subúrbios dominados pelo Hezbollah deixassem a região.
Vozes da população
O professor de literatura Michel Najm, residente em Beirute, relatou o impacto dos bombardeios. “Depois do horror de ontem [quarta], achei que ia parar um pouco. É um pesadelo diário, um prédio inteiro a dois quarteirões da minha casa foi ao chão. Não apoio o Hezbollah, mas não é certo punir o país todo”, disse.
Najm lembrou ainda da ocupação israelense no sul do Líbano, que durou 18 anos, e demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de uma paz rápida. “Duvido que o governo esteja em condições de negociar isso”, afirmou.



