Teerã nega diálogo direto com Washington e acusa Casa Branca de tentar conter impacto nos mercados enquanto conflito amplia alcance no Oriente Médio
Irã contesta narrativa de diálogo e acusa manobra política
O governo iraniano contestou, nesta segunda-feira, as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a existência de tratativas em curso para encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo Teerã, não há negociações diretas com Washington, e a fala do líder americano teria como objetivo aliviar a pressão sobre os mercados internacionais e ganhar margem para novas ações militares.
Trump havia afirmado a jornalistas que os dois países estariam envolvidos em “negociações muito fortes” e que já existiriam “muitos pontos de acordo, cerca de 15”. A versão, no entanto, foi prontamente rechaçada por autoridades iranianas.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que “nenhuma negociação foi realizada com os EUA” e classificou as falas do presidente americano como uma tentativa de “escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”.
Apesar da negativa, representantes iranianos admitiram que mensagens vêm sendo trocadas por meio de intermediários internacionais.
Pressão militar continua enquanto prazo é adiado
Em paralelo ao embate diplomático, as operações militares seguem em ritmo intenso. Estados Unidos e Israel anunciaram novos ataques contra alvos iranianos, enquanto Israel mantém sua ofensiva no Líbano. Teerã, por sua vez, afirmou ter lançado ataques contra Israel, Arábia Saudita e uma base americana na Síria, embora não haja confirmação sobre a efetividade dessas ações diante dos sistemas de defesa aérea.
Trump indicou que decidiu adiar eventuais bombardeios contra usinas de energia iranianas para abrir espaço às negociações. Inicialmente, o presidente havia estabelecido um prazo até a noite de segunda-feira para que o Irã garantisse a livre navegação no Estreito de Ormuz, sob pena de ataques. O novo limite foi transferido para sexta-feira.
O republicano também afirmou que seu genro, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff lideram as tratativas, acrescentando que Washington mantém contato com um líder iraniano, cuja identidade não foi revelada. Entre as exigências americanas estariam o fim do enriquecimento nuclear e a eliminação dos estoques de urânio com potencial bélico — condições já rejeitadas anteriormente por Teerã.
Impacto global eleva tensão nos mercados
O conflito já produz efeitos severos na economia global. Desde o fim de fevereiro, os preços do petróleo e do gás natural acumularam alta superior a 50%, em um movimento que, segundo a Agência Internacional de Energia, supera a combinação das crises energéticas de 1973 e 1979.
As declarações de Trump sobre possíveis negociações chegaram a provocar uma queda momentânea nos preços, mas analistas apontam que a instabilidade persiste diante da ausência de avanços concretos rumo a um cessar-fogo.
Escalada regional amplia número de vítimas
Com mais de três semanas de confrontos, o saldo humanitário é crescente. Mais de 2 mil pessoas morreram desde o início das hostilidades, a maioria no Irã e no Líbano, onde Israel abriu uma segunda frente contra o Hezbollah.
Defesa aérea de Israel sob questionamento
No fim de semana, ataques iranianos atingiram áreas próximas a instalações sensíveis em Israel, incluindo a cidade de Dimona, localizada a cerca de 13 quilômetros do principal complexo nuclear do país, além de Arad. Os bombardeios deixaram mais de dez feridos graves e dezenas de vítimas com menor gravidade.
As ocorrências reacenderam críticas internas sobre a eficiência do sistema de defesa aérea israelense, com especulações de que o país possa estar restringindo o uso de seus recursos mais avançados para evitar esgotamento.
Avanço no Líbano levanta temor de ocupação prolongada
A ofensiva israelense no Líbano também se intensifica. O chefe das Forças Armadas afirmou que a campanha contra o Hezbollah “apenas começou” e indicou preparação para uma expansão das operações.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, determinou a ampliação da destruição de infraestruturas, incluindo pontes e residências, o que elevou preocupações sobre uma possível ocupação prolongada do sul do território libanês.
Divergência nos números de mortos evidencia gravidade
Os dados sobre vítimas ainda apresentam divergências. O embaixador do Irã na ONU afirmou que ao menos 1.348 civis morreram no país desde o início da guerra. Já a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede em Washington, estimou 1.398 mortos.
No Líbano, autoridades locais contabilizam mais de mil vítimas fatais. Em Israel, ao menos 15 pessoas morreram em ataques iranianos. Entre as forças americanas, foram registradas 13 mortes.
O cenário, marcado por versões conflitantes e escalada militar contínua, mantém a comunidade internacional em alerta diante do risco de ampliação ainda maior do conflito.


