Ataque conjunto de Israel e Estados Unidos mata Ali Khamenei e amplia risco de guerra regional
A confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei mergulhou o Irã em luto oficial e lançou o Oriente Médio em uma nova fase de instabilidade. O líder supremo iraniano, de 86 anos, morreu em um ataque conduzido por Estados Unidos e Israel no sábado (28), segundo anunciou Teerã neste domingo (1º), após a divulgação prévia feita por Washington.
O governo iraniano decretou luto nacional enquanto a Guarda Revolucionária prometeu “a ofensiva mais feroz da história” contra Israel e os Estados Unidos. A televisão estatal informou que o processo de transição no comando do regime terá início imediato, em meio a um cenário de tensão militar crescente.
Segundo a imprensa iraniana, a filha e a neta de Khamenei também morreram em bombardeios atribuídos às forças americanas e israelenses.
Escalada militar e baixas na cúpula iraniana
A ofensiva eliminou parte significativa do alto comando iraniano. O chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, foi morto, assim como outros generais de alta patente. Também tiveram as mortes confirmadas Mohammad Pakpour, ministro da Defesa e comandante da Guarda Revolucionária, e Ali Shamkhani, conselheiro próximo ao líder supremo.
A organização Hengaw, que monitora violações de direitos humanos no país, afirmou que forças de segurança abriram fogo contra civis que comemoravam a morte de Khamenei em ao menos três cidades iranianas.
Israel e Estados Unidos mantêm ataques contra instalações estratégicas no território iraniano. A operação já teria atingido cerca de 40 lideranças políticas e militares. De acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho do Irã, ao menos 200 pessoas morreram e aproximadamente 740 ficaram feridas desde o início da ofensiva.
Um dia após o início da ação conjunta, Israel voltou a bombardear instalações militares, com foco em lançadores de mísseis balísticos e sistemas de defesa aérea da República Islâmica.
Mísseis sobre Tel Aviv
A retaliação iraniana não tardou. Sirenes de alerta foram acionadas durante a madrugada e na manhã deste domingo no centro de Israel, após disparos de mísseis em direção ao país.
Apesar de sucessivas investidas, autoridades israelenses classificaram os danos como moderados. Um dos projéteis atingiu uma área residencial no centro de Tel Aviv, provocando destruição significativa.
Segundo a Estrela de David Vermelha, serviço nacional de emergência, uma pessoa morreu e 121 ficaram feridas. A população tem seguido as orientações do Comando da Frente Interna, responsável por instruções de segurança à sociedade civil.
Trump ameaça resposta “sem precedentes”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom neste domingo ao advertir Teerã sobre possíveis represálias.
“O Irã declarou que contra-atacaria de forma devastadora; é melhor que ele não faça isso, pois, se o fizer, nós atacaremos com uma força sem precedentes”, escreveu o republicano na rede Truth.
Apesar do alerta, explosões foram registradas em cidades estratégicas do Golfo. Relatos apontam detonações em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; em Doha, no Catar; e em Manama, capital do Bahrein.
O Iraque anunciou três dias de luto nacional pela morte do líder iraniano, evidenciando o impacto regional do episódio.
Reação internacional
A Agência Internacional de Energia Atômica convocou reunião de emergência para segunda-feira às 9h (8h GMT), a fim de discutir os ataques realizados no sábado e seus possíveis desdobramentos para a segurança nuclear e a estabilidade internacional.
Com a morte de Khamenei e a eliminação de parte do comando militar iraniano, a região enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A transição de poder em Teerã ocorre sob bombardeios, ameaças explícitas e o risco concreto de uma guerra de proporções ampliadas no Oriente Médio.



