Queda de A-10 no Golfo Pérsico, segundo Teerã, contraria discurso de “superioridade aérea” defendido por Washington
As Forças Armadas do Irã anunciaram nesta sexta-feira (3) a derrubada de uma segunda aeronave militar dos Estados Unidos, em mais um episódio que intensifica a escalada de tensões no Golfo Pérsico. Segundo autoridades iranianas, o alvo teria sido um A-10 Thunderbolt II — conhecido como Warthog — modelo amplamente empregado em missões de ataque ao solo.
De acordo com a mídia estatal, o avião foi atingido por sistemas de defesa aérea iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz e caiu no mar após a interceptação.
Em relato ao The New York Times, um oficial norte-americano, sob condição de anonimato, afirmou que o piloto conseguiu conduzir a aeronave para fora do espaço aéreo iraniano antes de se ejetar, sendo posteriormente resgatado.
O episódio ocorre poucas horas após Teerã já ter declarado a derrubada de um caça F-15E. Segundo as informações divulgadas, um dos tripulantes foi resgatado, enquanto outro permanece desaparecido. Ainda de acordo com fontes iranianas, três aeronaves do mesmo modelo haviam sido abatidas anteriormente por “fogo amigo” das defesas do Kuwait no início do conflito.
Até o momento, nem o Pentágono nem o Comando Central dos Estados Unidos se pronunciaram sobre o suposto abatimento do A-10.
As alegações iranianas surgem em contraste direto com declarações recentes do presidente Donald Trump e de seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, que vinham reiterando a eficácia das operações militares americanas. Ambos sustentaram publicamente a existência de “superioridade aérea” sobre o território iraniano, além de afirmar a neutralização significativa das defesas do país.
Trump chegou a declarar que o Irã “não pode fazer nada” contra aeronaves dos Estados Unidos operando em seu espaço aéreo — avaliação que agora é colocada em xeque diante das versões divulgadas por Teerã.
A reação iraniana também se estendeu ao campo político. Em publicação na plataforma X, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, ironizou o posicionamento americano após os relatos de abatimento:
“Depois de derrotar o Irã 37 vezes seguidas, essa guerra brilhante e sem estratégia que eles iniciaram agora foi rebaixada de ‘mudança de regime’ para ‘Ei! Alguém pode encontrar nossos pilotos? Por favor?'”.
O episódio adiciona incertezas ao cenário militar e reforça a disputa de narrativas entre Washington e Teerã sobre o real controle do espaço aéreo na região.



