Teerã reage a ultimato dos EUA e eleva tensão diplomática em reunião do Conselho de Segurança da ONU
Declarações de Trump provocam reação imediata do Irã
A escalada retórica entre Estados Unidos e Irã ganhou novos contornos nesta terça-feira (7), após declarações do presidente americano, Donald Trump, sugerirem a possibilidade de devastação total do país persa. Em resposta, o representante iraniano nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, classificou as falas como uma grave violação do direito internacional.
Segundo o diplomata, as ameaças de que “uma civilização inteira morrerá” caso não haja acordo até o prazo estipulado configuram “incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”.
ONU debate crise no estreito de Hormuz
As declarações ocorreram paralelamente a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada para discutir o bloqueio do estreito de Hormuz — rota estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.
Uma proposta apresentada pelo Bahrein, que preside o colegiado de forma rotativa, previa a liberação da passagem marítima. No entanto, o texto foi barrado após veto de China e Rússia, membros permanentes do Conselho e aliados do Irã.
Durante a sessão, Iravani apelou à comunidade internacional para que condene o discurso americano. “O Irã não ficará parado diante de crimes de guerra tão flagrantes. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de legítima defesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, afirmou.
Casa Branca sinaliza possível extensão de prazo
Em meio à tensão, a Casa Branca indicou que avalia alternativas diplomáticas. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, declarou que Trump “está ciente” de uma proposta do Paquistão para ampliar o ultimato por duas semanas e que “uma resposta virá”.
Apesar disso, o presidente americano tem alternado sinais de negociação com ameaças contundentes. Entre elas, a possibilidade de levar o Irã “de volta à Idade da Pedra”, com ataques direcionados à infraestrutura energética e logística do país.
Ameaças incluem destruição de infraestrutura civil
Trump afirmou que, caso não haja acordo até o prazo estipulado — 21h desta terça-feira (horário de Brasília) —, instalações estratégicas iranianas seriam destruídas nas horas seguintes. “Todas as pontes e todas as usinas de energia” estariam entre os alvos, segundo o presidente.
Em publicação nas redes sociais, ele declarou: “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”.
Especialistas apontam que ataques deliberados contra infraestrutura civil são amplamente considerados crimes de guerra, embora frequentemente justificados por governos como ações contra alvos de uso militar.
Divisão entre potências amplia impasse
No Conselho de Segurança, China e Rússia defenderam que a proposta de resolução era desequilibrada e desfavorável ao Irã. O embaixador chinês alertou que aprovar o texto diante das ameaças americanas enviaria “a mensagem errada” à comunidade internacional.
Já a representação russa informou que trabalha, em conjunto com Pequim, em uma proposta alternativa voltada à segurança marítima e à estabilidade regional.
Os Estados Unidos reagiram com críticas. O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, classificou os vetos como “um novo nível de baixeza” e acusou os dois países de alinhamento com Teerã. Segundo ele, o bloqueio do estreito tem dificultado a chegada de ajuda humanitária a regiões como Congo, Sudão e Faixa de Gaza.
