Tecnologia que conecta smartphones diretamente a satélites já avança em outros países e pode chegar gratuitamente ao Brasil em fase inicial
A possibilidade de acessar internet via satélite diretamente pelo celular já começou a se concretizar em alguns países — e a expectativa para o Brasil levanta uma questão central: qual será o custo para o usuário? Ao menos em um primeiro momento, a tendência é que o serviço não tenha cobrança adicional.
Experiências observadas em mercados como Estados Unidos e Chile indicam que a funcionalidade pode ser incorporada sem custo extra aos planos móveis. A estratégia tem como foco incentivar a adoção da tecnologia antes da definição de modelos comerciais mais robustos.
Como funciona a conexão direta via satélite
O sistema, chamado de Direct-to-Cell, permite que aparelhos celulares convencionais se conectem diretamente a satélites, dispensando o uso de antenas externas. Na prática, esses satélites passam a operar como verdadeiras torres de telefonia no espaço.
Inicialmente, o recurso atua como uma cobertura complementar, sendo acionado em locais onde não há sinal das operadoras tradicionais. Nessa fase, o uso é limitado a funções básicas, como envio de mensagens e compartilhamento de localização. A expectativa, no entanto, é de evolução gradual para chamadas de voz e acesso completo à internet móvel.
Testes e implementação no exterior
Fora do Brasil, o modelo já começa a ganhar forma. Nos Estados Unidos, operadoras parceiras da Starlink testam a tecnologia como um diferencial agregado aos planos existentes.
No Chile, a operadora Entel já disponibilizou a funcionalidade, permitindo acesso a aplicativos como WhatsApp e Google Maps em áreas sem cobertura convencional.
O país integra um grupo pioneiro na adoção da tecnologia, ao lado de mercados como Japão, Canadá, Austrália e Reino Unido.
Apesar dos avanços, o serviço ainda é considerado complementar e não substitui completamente a internet móvel tradicional.
Por que o serviço tende a ser gratuito no início
Especialistas apontam três fatores principais para a adoção inicial sem custo:
- Incentivar a experimentação e ampliar a base de usuários;
- Permitir que operadoras avaliem o comportamento de uso;
- Definir um modelo de monetização viável no longo prazo.
A estratégia não busca retorno financeiro imediato, mas sim consolidar o valor da tecnologia junto ao público. No futuro, o cenário pode mudar, com a possibilidade de cobrança adicional, inclusão em planos premium ou tarifação por uso em regiões remotas.
Situação no Brasil
No Brasil, a implementação ainda depende de avanços regulatórios. Embora já existam indícios de testes, a operação comercial está condicionada à aprovação de órgãos competentes.
Outro ponto determinante será a formação de parcerias entre a Starlink e operadoras nacionais, seguindo o modelo adotado internacionalmente.
Perspectivas para os próximos anos
A tendência é que o país acompanhe o movimento global, com uma fase inicial focada em funcionalidades básicas gratuitas e expansão gradual dos serviços.
Com a evolução dos satélites de nova geração, a expectativa é ampliar a oferta para dados móveis, chamadas de voz e até transmissão de vídeo diretamente pelo celular — o que pode transformar a conectividade em regiões rurais, estradas e áreas isoladas.
Até que isso aconteça, o principal entrave não é o custo, mas a liberação oficial para o funcionamento pleno da tecnologia no país.

