Sistema modular “Living Building” desafia a construção civil tradicional ao transferir o canteiro de obras para a linha de montagem industrial
O cenário da engenharia civil global testemunhou um marco histórico em Changsha, na China, onde um edifício residencial de 10 pavimentos foi completamente montado em apenas 28 horas e 45 minutos. O feito, protagonizado pela empresa Broad Group, rompe com o paradigma de construções que se arrastam por anos, utilizando um modelo de industrialização que promete redefinir a densidade e a agilidade das metrópoles contemporâneas.
Engenharia de precisão: a lógica da linha de montagem
A velocidade sem precedentes não é fruto de mágica, mas de uma logística rigorosa denominada Living Building. O conceito fundamental consiste em transformar o ato de construir em um processo de montagem de alta precisão, similar à fabricação de veículos ou ao encaixe de blocos de um “Lego” em escala urbana.
- Módulos Autossuficientes: Diferente da alvenaria convencional, cada andar é produzido integralmente em fábrica. Os módulos chegam ao terreno em dimensões de contêineres, já equipados com sistemas de fiação elétrica, tubulações hidráulicas e acabamentos internos.
- Montagem Vertical: No local da obra, o trabalho humano é reduzido à operação de guindastes e à fixação estrutural. A eliminação de etapas morosas, como o tempo de cura do concreto, permite que a estrutura suba em questão de horas.
Sustentabilidade e resistência em tempo recorde
Para além da rapidez, a construção modular industrializada aborda gargalos históricos do setor, como o desperdício de insumos e o impacto ambiental. Ao centralizar a produção em ambiente controlado, a Broad Group afirma que o desperdício de materiais é reduzido a níveis próximos de zero.
Ademais, a segurança estrutural não foi negligenciada em prol da agilidade. Segundo a fabricante, o edifício possui uma resistência a abalos sísmicos (terremotos) e tufões superior à das construções de aço tradicionais, devido à flexibilidade e à precisão dos encaixes metálicos de alta tecnologia.
O futuro das metrópoles e o desafio da habitação
O modelo chinês surge como uma resposta promissora ao déficit habitacional em áreas de altíssima densidade demográfica. A redução drástica de ruídos, poeira e entulho nos arredores da obra torna a construção industrializada a solução ideal para centros urbanos já saturados.
Embora o Brasil ainda enfrente barreiras normativas e culturais para a implementação massiva desse sistema, o sucesso em Changsha sinaliza que a obsolescência do canteiro de obras tradicional pode estar próxima. O futuro da habitação reside na precisão da fábrica, garantindo eficiência, sustentabilidade e entregas em tempo recorde.
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