Lucas Pinheiro Braathen coloca o Brasil no topo dos Jogos de Inverno com vitória histórica no slalom gigante
Pela primeira vez, a bandeira brasileira subiu ao ponto mais alto de um pódio nos Jogos Olímpicos de Inverno. O feito coube a Lucas Pinheiro Braathen, que protagonizou uma atuação dominante neste sábado, em Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, ao conquistar o ouro no slalom gigante em Milão-Cortina, na Itália.
A vitória não foi apenas simbólica. Foi técnica, sólida e incontestável. Desde a primeira descida na pista do Stelvio Ski Centre, o brasileiro assumiu a liderança com margem confortável e administrou a vantagem na final para confirmar o título. No pódio, deixou para trás dois nomes de peso do esqui mundial: o suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em 2022, que ficou com a prata, e seu compatriota Loïc Meillard, medalhista de bronze.
Ainda tomado pela emoção, Braathen discursou diante das câmeras:
— Inexplicável. Totalmente inexplicável. Não sei como colocar em palavras as minhas sensações agora. Só queria compartilhar. Todo mundo assistindo no Brasil, me acompanhando, torcendo por mim. Provavelmente isso pode ser inspiração para crianças da nova geração. Não importa onde você está, suas roupas, a cor da sua pele. O que importa é o que existe aqui dentro (apontando para o coração). Meu coração aqui hoje é com força brasileira, para trazer essa bandeira para cima do pódio. É do Brasil!
Superioridade desde a largada
Sorteado para abrir a fase classificatória, Braathen enfrentou a pressão de descer antes dos outros 80 competidores. O tempo de 1min13s92 não apenas resistiu às investidas seguintes como estabeleceu o parâmetro da prova. Ninguém conseguiu superá-lo na primeira rodada.
Entre os 30 finalistas, o brasileiro foi o último a largar. Com vantagem construída na descida inicial, adotou estratégia calculada na segunda passagem: menos risco, controle de trajetória e precisão técnica. O resultado foi uma vantagem final de 58 centésimos sobre o segundo colocado — margem expressiva em uma modalidade decidida por detalhes.
A confirmação formal da medalha de ouro ainda depende da conclusão protocolar das descidas dos atletas fora da final, mas a matemática torna remota qualquer reversão: historicamente, competidores além da 30ª posição inicial não conseguem compensar tamanha diferença no somatório.
Ascensão consolidada no circuito mundial
A conquista olímpica coroa um ciclo de consistência. Desde 2025, Braathen acumula cinco pódios em etapas da Copa do Mundo, sempre entre campeão e vice:
- 2025 — Ouro — Slalom — Etapa de Levi (Finlândia)
- 2025 — Prata — Slalom gigante — Etapa de Alta Badia (Itália)
- 2026 — Prata — Slalom gigante — Etapa de Adelboden (Suíça)
- 2026 — Prata — Slalom — Etapa de Wengen (Suíça)
- 2026 — Prata — Slalom gigante
O desempenho reforça sua condição de protagonista técnico no esqui alpino internacional, agora legitimado por uma medalha olímpica.
Nova chance no slalom
A agenda olímpica ainda reserva mais um desafio. Na segunda-feira, às 6h e 9h30 (horário de Brasília), Braathen volta às pistas para disputar o slalom masculino, ao lado de Christian Oliveira e Giovanni Ongaro. A expectativa é de nova disputa por medalha.
Identidade entre dois países
Nascido em Oslo, capital da Noruega, Lucas é filho do norueguês Bjørn Braathen com a brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. Cresceu entre culturas distintas, falando português e norueguês, e construiu sua formação esportiva na Europa.
Ele competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 pela Noruega, sem subir ao pódio. Após divergências com a federação do país, anunciou aposentadoria. A decisão foi revista em 2024, quando formalizou a mudança de nacionalidade esportiva e passou a representar o Brasil.
Aos 25 anos, o atleta reescreve a história olímpica brasileira no gelo e na neve — territórios que, até agora, pareciam distantes do imaginário esportivo nacional.
(Com O Globo)


