Em meio ao cenário de devastação na Zona da Mata, agentes mobilizam operação especial para salvar animal com mobilidade reduzida; resgate simboliza esperança em meio à maior crise climática do estado em 2026
Em um dos episódios mais emocionantes registrados durante a cobertura das inundações que assolam Minas Gerais, as forças de segurança do estado realizaram o resgate de uma cadela paraplégica que estava presa em uma residência completamente ilhada. O salvamento, ocorrido nesta quinta-feira (26/02), mobilizou policiais que patrulhavam áreas de risco e reforçou o papel das equipes de emergência no acolhimento de todas as formas de vida durante a catástrofe.
O animal, que depende de uma cadeira de rodas para se locomover, foi encontrado em um ponto de difícil acesso, onde o nível da água subia rapidamente, impossibilitando qualquer tentativa de fuga por conta própria.
A logística do salvamento
O resgate exigiu cuidados técnicos redobrados. Devido à condição da coluna da cadela, os agentes não puderam apenas retirá-la da água; foi necessário improvisar uma plataforma estável para evitar lesões adicionais durante o transporte pelo bote inflável.
Os policiais relataram que a cadela estava visivelmente exausta e assustada, mantendo-se em um pequeno móvel que ainda não havia sido submerso. A operação durou cerca de 40 minutos sob chuva moderada.
“A cena era de partir o coração. Ela nos olhava com uma súplica silenciosa, imóvel por causa da sua limitação física. Não medimos esforços para garantir que ela saísse dali com segurança. Ver o rabo abanando assim que ela sentiu o chão seco é o que nos dá forças para continuar neste cenário de guerra”, afirmou um dos cabos da Polícia Militar envolvido na ação.
Acolhimento e cuidados veterinários
Após o resgate, a cadela foi encaminhada a um abrigo temporário coordenado por ONGs parceiras do governo estadual. Por ser um animal com necessidades especiais, ela recebeu atendimento veterinário imediato para avaliar possíveis quadros de hipotermia ou infecções causadas pelo contato prolongado com a água contaminada das enchentes.
A Polícia Civil e os Bombeiros reforçam que, em casos de evacuação imediata, os tutores devem, se possível, levar seus animais, mas que em situações de risco extremo à vida humana, as equipes de resgate devem ser notificadas sobre a presença de pets deixados para trás.
O impacto nos animais da zona da mata
A tragédia em Minas Gerais já deixou milhares de animais desalojados. Estima-se que centenas de cães e gatos tenham se perdido de seus donos ou permaneçam isolados em telhados à espera de socorro. Governos locais e voluntários estão montando uma rede de cadastramento para facilitar o reencontro de famílias com seus bichos de estimação após o recuo das águas.
Orientações para quem encontra animais ilhados:
- Não tente o resgate sozinho se a correnteza estiver forte ou se houver risco de desabamento.
- Sinalize o local para as equipes oficiais de busca.
- Ofereça alimento e água limpa se houver acesso seguro, até que o resgate profissional chegue.



