Fraude utiliza informações de processos públicos para enganar clientes; Banco Central e OAB reforçam medidas de segurança e ferramentas de recuperação de valores
O avanço da digitalização do sistema judiciário trouxe agilidade, mas também munição para criminosos. O chamado “golpe do falso advogado” tornou-se uma das fraudes mais sofisticadas de 2025, utilizando dados verídicos extraídos de plataformas como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) e o Cadastro Nacional da Advocacia (CNA) para dar credibilidade ao crime.
A engenharia social por trás da fraude
Diferente de golpes genéricos, esta fraude é cirúrgica. Os golpistas identificam processos em andamento, criam perfis de WhatsApp com a foto e o nome real do advogado da causa e entram em contato com o cliente.
O contato costuma ser extremamente convincente por conter:
- Número real do processo.
- Detalhes sobre o andamento da ação.
- Dados pessoais da vítima.
A armadilha se fecha quando o criminoso alega uma “urgência” — como o pagamento de custas processuais ou uma taxa de liberação de alvará — para que o cliente receba o dinheiro da causa. O pagamento é solicitado via Pix ou boleto, mas os destinatários são contas de “laranjas”, sem qualquer relação com o escritório de advocacia ou o Tribunal.
Como se proteger: a regra da videochamada
Especialistas em segurança digital e a própria OAB alertam que o senso de urgência é a principal ferramenta do bandido. Para evitar o prejuízo, a orientação é simples: exija uma videochamada.
“Criminosos digitais evitam a exposição visual. Se o suposto advogado se recusar a abrir a câmera ou a atender uma ligação de vídeo para confirmar a identidade, interrompa o contato imediatamente”, orientam os especialistas.
Além disso, é fundamental ligar para o número oficial do escritório (não o que entrou em contato) para validar a informação.
Novas ferramentas de combate: o botão de contestação
Para combater a velocidade das transferências via Pix, o Banco Central implementou novidades no Mecanismo Especial de Devolução (MED). Desde 1º de outubro, as instituições financeiras contam com o botão de contestação diretamente no aplicativo.
Esta ferramenta permite que a vítima acione o banco instantaneamente após perceber o golpe. O banco receptor bloqueia o valor na conta do fraudador enquanto a análise é realizada, aumentando drasticamente as chances de recuperação do dinheiro.
Reação institucional
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também intensificou o combate ao crime. Em outubro, foi aprovada a criação de um grupo de trabalho nacional focado na segurança digital e no fechamento de falsos escritórios. A iniciativa visa pressionar tribunais para aumentar o sigilo de certas informações sensíveis no PJe e educar a categoria e a sociedade sobre as melhores práticas de comunicação entre cliente e advogado.



