Golpe em Pousadas
Nesta quarta-feira (12/3), a polícia prendeu oito suspeitos de envolvimento no esquema.
Especialista dá orientações sobre como se proteger de golpes virtuais, como a fraude aplicada por criminosos que vendiam diárias inexistentes em pousadas de Pirenópolis (GO).
O avanço da tecnologia facilitou a comunicação e a realização de transações financeiras online, proporcionando praticidade no dia a dia. No entanto, essa mesma facilidade tem sido explorada por criminosos, resultando em um aumento significativo de golpes virtuais. Um exemplo recente é o caso investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que culminou na prisão de um grupo suspeito de enganar mais de 60 pessoas por meio de falsas reservas de hospedagem.
A operação, denominada Sem Reservas, cumpriu oito mandados de prisão e sete de busca e apreensão em Goiânia. O grupo utilizava redes sociais para anunciar pacotes de hospedagem inexistentes em pousadas reais, induzindo as vítimas a realizarem pagamentos antecipados via Pix.
Estratégia dos golpistas
Os criminosos criavam perfis falsos imitando pousadas legítimas e ofereciam tarifas abaixo do valor de mercado para atrair clientes. Durante a negociação, que ocorria por meio de mensagens, os suspeitos se passavam por proprietários dos estabelecimentos e até enviavam contratos falsificados para conferir credibilidade ao golpe.
Como evitar fraudes em reservas online
O advogado e professor especialista em direito digital Lucas Karam alerta que é fundamental verificar a autenticidade do site antes de efetuar qualquer pagamento. Segundo ele, algumas medidas podem evitar prejuízos financeiros:
- Checar a procedência da página: acessar o site oficial do estabelecimento e evitar clicar em links suspeitos enviados por terceiros;
- Desconfiar de preços muito abaixo do mercado: ofertas exageradamente vantajosas podem ser indício de fraude;
- Verificar referências: pesquisar a reputação da empresa em sites de avaliação e redes sociais;
- Guardar comprovantes: salvar recibos, prints de conversas e anúncios pode ser essencial em caso de denúncia;
- Confirmar os dados bancários: certificar-se de que o pagamento está sendo feito para a conta oficial do estabelecimento.
O que fazer ao cair em um golpe
Caso a fraude seja identificada após o pagamento, Karam recomenda agir rapidamente: “Caso envolva banco ou instituição de pagamento, informe imediatamente o golpe para tentar bloquear a transação ou obter orientações sobre estorno. No caso de Pix, o consumidor pode recorrer ao Mecanismo Especial de Devolução (MED)”, explica.
Outra medida essencial é reunir todas as provas disponíveis, como comprovantes de pagamento e registros de conversas, e registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil. “Quanto mais rápido a denúncia for feita, maior a chance de as autoridades rastrearem os golpistas”, afirma Karam. Além disso, ele sugere reportar o perfil fraudulento à rede social utilizada pelos criminosos para que seja removido.
Legislação e punições
No Brasil, crimes virtuais são enquadrados no artigo 171 do Código Penal, que trata do estelionato. A pena varia de um a cinco anos de prisão e multa. No entanto, a Lei nº 14.155/2021, sancionada em 2021, prevê penalidades mais severas para fraudes cometidas por meio de dispositivos eletrônicos ou redes de computadores, podendo chegar a oito anos de reclusão.
Onde denunciar
Para formalizar a denúncia, é possível registrar um boletim de ocorrência presencialmente em uma delegacia da Polícia Civil ou acessar a Delegacia Eletrônica (pcdf.df.gov.br/servicos/delegacia-eletronica). Além disso, plataformas como Instagram e Facebook possuem canais para relatar perfis fraudulentos.
A conscientização e a adoção de práticas seguras ao realizar transações online são fundamentais para evitar prejuízos financeiros e minimizar os riscos de cair em golpes digitais.