Ausência prolongada de comida compromete o cérebro, provoca hipoglicemia grave e pode levar a crises neurológicas
A falta de alimento vai muito além de um desconforto passageiro. Quando o organismo permanece por longos períodos sem receber nutrientes essenciais, as consequências extrapolam a sensação de fraqueza e atingem funções vitais. O cérebro, que depende quase exclusivamente da glicose como fonte de energia, é um dos órgãos mais afetados pela escassez prolongada de combustível.
Sem aporte energético adequado, os neurônios perdem estabilidade elétrica, o que pode desencadear crises convulsivas. Esse quadro caracteriza a chamada hipoglicemia grave, considerada uma emergência médica, capaz de provocar perda de consciência, alterações neurológicas importantes e, em casos extremos, coma.
Impacto da hipoglicemia no sistema nervoso
A redução acentuada dos níveis de glicose no sangue compromete diretamente a atividade cerebral. Como o cérebro não armazena energia, qualquer interrupção prolongada no fornecimento de glicose pode gerar falhas na comunicação entre os neurônios, favorecendo descargas elétricas desordenadas, responsáveis pelas convulsões.
A nutricionista clínica e esportiva Thainara Gottardi faz um alerta direto sobre os riscos dessa prática: “Privar o corpo de alimento por muito tempo não é apenas uma questão estética ou de disciplina. É uma agressão direta ao sistema nervoso, que pode resultar em convulsões e danos irreversíveis”.
Deficiência de minerais agrava o risco
Além da glicose, minerais como cálcio, magnésio e sódio exercem papel essencial na condução dos impulsos nervosos. A carência desses elementos, comum em situações de desnutrição, jejuns prolongados ou dietas extremas, aumenta significativamente a probabilidade de crises convulsivas.
A fome prolongada também provoca desequilíbrios hormonais, enfraquece o sistema imunológico e compromete o funcionamento de órgãos vitais. O organismo humano não foi biologicamente projetado para suportar longos períodos sem alimentação adequada.
Dietas extremas e transtornos alimentares
Convulsões associadas à privação alimentar são frequentemente observadas em pessoas com transtornos alimentares ou que aderem a dietas extremamente restritivas. Esses episódios representam o limite fisiológico do corpo diante da escassez de nutrientes. “O alimento é mais do que calorias. É a base da vida, da energia e da saúde mental. Negar isso ao corpo é abrir espaço para o colapso”, reforça Thainara Gottardi.
Em síntese, a privação alimentar não deve ser romantizada nem encarada como prova de força ou resistência. O risco de convulsão é real e pode transformar a busca por controle corporal em uma ameaça direta à sobrevivência.

