Senador afirma que Jair Bolsonaro mantém voz enfraquecida, voltou a apresentar soluços e aguarda novo laudo médico para pedido de prisão domiciliar
O estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou sinais de estagnação e o retorno de sintomas incômodos neste sábado (14), conforme relato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após visita ao Hospital DF Star, em Brasília. Segundo o parlamentar, o quadro clínico atual impede uma perspectiva de melhora imediata, com o paciente manifestando novamente episódios de soluços e uma fragilidade física visível.
“Ontem não estava com soluços, mas hoje já estava. A aparência continua abatida. E você sente que ele não está com a voz forte, a voz normal. Está enfraquecida”, revelou Flávio aos jornalistas. De acordo com o filho do ex-mandatário, ao ser questionado sobre sua recuperação, Jair Bolsonaro teria sido direto ao afirmar que se sente “na mesma”.
Argumentação jurídica e risco de morte
A fragilidade reportada deve fundamentar uma nova ofensiva da equipe jurídica de Bolsonaro perante o Poder Judiciário. O objetivo é converter a detenção atual em prisão domiciliar, utilizando o argumento de que o ambiente carcerário, mesmo em batalhão especial, não oferece a vigilância necessária para um paciente em estado convalescente e sob forte medicação.
Flávio enfatizou que o isolamento noturno representa um perigo real de acidentes domésticos ou desequilíbrios causados pelos efeitos colaterais dos fármacos. “Ele Jair Bolsonaro não disse que estava se sentindo melhor, ele disse que estava ‘na mesma'”, pontuou o senador, acrescentando que “se tiver demora para atendimento, pode resultar na morte dele, isso é um fato”.
O limiar da infecção generalizada
O relato familiar também trouxe à tona a gravidade do momento da internação. Segundo informações repassadas pela equipe médica ao senador, o ex-presidente esteve a poucas horas de um colapso sistêmico grave. A agilidade no transporte hospitalar teria sido o fator determinante para evitar que a pneumonia evoluísse para uma sepse (infecção generalizada).
“Os médicos reafirmaram que se o atendimento hospitalar inicial ao ex-presidente tivesse demorado mais uma ou duas horas, seu quadro poderia ter evoluído para uma infecção generalizada. Isso reforça a importância de ele ter acompanhamento permanente”, argumentou Flávio, justificando a necessidade de suporte familiar e médico contínuo, o que, em sua visão, só seria plenamente possível fora das dependências do Batalhão.
Próximos passos da defesa
A estratégia agora depende da emissão de um novo laudo detalhado pela junta médica do DF Star. Este documento será o pilar do novo pedido de soltura ou progressão para o regime domiciliar. A defesa sustenta que a manutenção da custódia em local sem infraestrutura hospitalar imediata configura um risco desproporcional à integridade física do ex-presidente, dada a complexidade de seu histórico clínico e as recorrências de crises obstrutivas e respiratórias.



