Estratégia mira palanques exclusivos, fortalecimento do número 22 e avanço do partido nas disputas ao Senado em 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deflagrou uma ofensiva interna para que o Partido Liberal apresente candidatos a governador em todos os Estados nas eleições de 2026, movimento que ameaça acordos já firmados ou em estágio avançado com siglas aliadas da direita e do centrão. A diretriz, defendida nos bastidores como inegociável, tem provocado recuos, rearranjos e novos focos de tensão no xadrez político estadual.
No Espírito Santo, a articulação levou a cúpula local do PL a abandonar as conversas com o prefeito de Vitória, Lourenço Pazolini (Republicanos), nome competitivo na disputa pelo governo. Em seu lugar, passou a ganhar força a candidatura do senador Magno Malta, filiado ao próprio PL e aliado histórico da família Bolsonaro.
Minas e Rio entram no radar
Em Minas Gerais, o cenário também foi embaralhado. O apoio do PL ao vice-governador Mateus Simões — que recentemente deixou o Novo e se filiou ao PSD — passou a ser questionado. Flávio Bolsonaro tem incentivado a entrada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na corrida pelo Palácio Tiradentes. O parlamentar é visto como um dos principais puxadores de votos da direita no país, com forte presença digital e alto poder de mobilização.
No Rio de Janeiro, berço eleitoral do senador, a disputa interna ganhou contornos mais duros. Flávio rejeitou a sinalização do governador Cláudio Castro (PL) de lançar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccioni, considerado um quadro técnico e de perfil moderado, filiado ao partido há pouco tempo. A aposta do senador recai sobre Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, visto como um candidato mais alinhado ao bolsonarismo “raiz”.
Palanques exclusivos e foco no Senado
A estratégia de lançar candidatos “puro-sangue” do PL busca evitar palanques compartilhados com outros nomes da centro-direita e garantir controle total da narrativa eleitoral nos Estados. Outro objetivo central é reforçar a associação direta com o número 22, marca eleitoral da legenda, considerada fundamental para impulsionar votos de legenda e ampliar as chances do partido nas disputas ao Senado — uma das prioridades da família Bolsonaro para 2026.
Pressão chega a São Paulo
Se levada adiante sem concessões, a orientação amplia a pressão sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora aliado do bolsonarismo, Tarcísio resistiu, em 2022, aos apelos do então presidente Jair Bolsonaro para se filiar ao PL e segue hesitante em ingressar oficialmente no partido comandado por Valdemar Costa Neto.
Nos bastidores, o governador avalia que uma eventual filiação ao PL poderia reforçar a percepção de um posicionamento mais à direita do que pretende adotar em São Paulo, afastando siglas do centrão e abrindo espaço para a eleição de ao menos um senador de perfil mais moderado, alinhado ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A pressão, no entanto, já começa a se manifestar publicamente. O deputado estadual Gil Diniz — conhecido como “Carteiro Reaça” — passou a usar o sobrenome Bolsonaro e defende que o PL rompa com Tarcísio e lance um candidato próprio ao governo paulista. Embora, por ora, seja visto como uma voz isolada, seu histórico como ex-chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro confere peso simbólico à movimentação e indica que o debate interno está longe de um desfecho.



