Após visitar ex-presidente na Papudinha, deputado mineiro rebate acusação de “amnésia”, aponta desequilíbrio emocional do filho “03” e pede foco no “inimigo comum”; Carlos Bolsonaro descreve pai “abatido” na prisão
O que deveria ser uma demonstração de unidade em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro transformou-se em um campo de batalha público entre as principais lideranças do Partido Liberal (PL). Neste sábado (21/02), ao deixar o 19º Batalhão da Polícia Militar (a “Papudinha”), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) rompeu o silêncio para responder às duras críticas de Eduardo Bolsonaro, subindo o tom contra o colega de bancada e saindo em defesa da ex-primeira-dama.
A disputa interna ocorre em um momento crítico, com o patriarca do clã cumprindo pena de 27 anos e três meses enquanto aliados tentam costurar estratégias para as eleições de 2026.
A réplica: “Eduardo não está bem”
O estopim da crise foi uma entrevista de Eduardo Bolsonaro ao SBT News, na qual ele acusou Nikolas e Michelle de terem “amnésia” em relação ao apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Após uma visita de duas horas ao ex-presidente, Nikolas foi incisivo ao rechaçar a narrativa de ingratidão.
“Primeiro, que eu discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tenha amnésia. Eu me lembro muito bem de todos os anos que eu fui atacado injustamente”, disparou o deputado mineiro.
Nikolas sugeriu que as prioridades de Eduardo estão invertidas diante da atual conjuntura política e jurídica do país:
“Nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde (…) você tem o STF envolvido em diversos escândalos, você tem o Lula literalmente fazendo de tudo para poder destruir esse país e a prioridade é nos atacar? Então, isso diz muito mais sobre ele do que a mim. Bater em mim? Eu já estou acostumado (…) Mas, sabe, deixa a Michelle viver o calvário dela. Ela, acima de tudo, é uma esposa, ela é uma mãe (…) Eu acho que o Eduardo não tá bem.”
O QG da Papudinha: articulação em meio ao cárcere
Mesmo detido desde 15 de janeiro por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro transformou sua cela em um ponto de convergência política. Autorizado a receber visitas de parlamentares como Nikolas e Sanderson (PL-RS), o ex-presidente tem focado na composição de chapas conservadoras para o Senado.
Movimentações Recentes:
- Apoio no RS e DF: Bolsonaro teria ratificado suporte a nomes como Bia Kicis e a própria Michelle Bolsonaro para disputas majoritárias.
- Cenário no Rio: O senador Carlos Portinho, que esteve com o ex-presidente em 18 de fevereiro, afirma que Bolsonaro vê sua própria influência como essencial para consolidar o campo conservador fluminense.
Saúde e abatimento: O relato de Carlos Bolsonaro
Enquanto a ala política do PL discute votos, a ala familiar expressa preocupação com a integridade física do ex-mandatário. Carlos Bolsonaro, após visita recente, descreveu um cenário preocupante, afirmando ter encontrado o pai “sonolento e abatido”.
O relato coincide com o pedido da defesa para a realização de tratamentos de neuromodulação intracraniana, sob a alegação de que o isolamento e o estresse do cárcere têm agravado patologias pré-existentes e distúrbios de sono do ex-presidente.
O conflito de narrativas
A tensão entre Nikolas e Eduardo revela uma disputa pela hegemonia da herança política de Bolsonaro. Enquanto Eduardo cobra lealdade absoluta à família, Nikolas e Michelle buscam construir um capital político próprio, focando na mobilização de base e na renovação da imagem da direita para o próximo ciclo eleitoral. Para Nikolas, o tempo perdido com “divergências” é um erro estratégico, pois acredita que “a gente tem um Brasil pra salvar”.



