Mensagem presidencial e carta manuscrita revelam estratégias e posicionamentos para a disputa futura
Movimentações antecipadas
O encerramento de 2025 trouxe sinais evidentes de que a corrida presidencial de 2026 já começou a ser desenhada. Em polos opostos da política nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro utilizaram mensagens públicas recentes para reforçar agendas, consolidar narrativas e falar diretamente a seus eleitores, em um tom mais próximo de campanha do que de balanço institucional.
Lula aposta em medidas sociais e econômicas
Na mensagem de Natal transmitida em rede nacional, Lula adotou discurso propositivo, destacando ações de governo com forte apelo social. Entre os pontos centrais, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, tema de ampla aceitação popular e com potencial de mobilização eleitoral.
“O fim da escala 6×1, sem redução de salário, é uma demanda do povo que cabe a nós, representantes do povo, escutar e transformar em realidade”, afirmou o presidente.
O pronunciamento também incluiu medidas econômicas com impacto direto no orçamento das famílias. Lula citou a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida para a classe média e o fim da cobrança de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
“Para milhões de brasileiras e brasileiros, o último dia do ano também será o último dia com Imposto de Renda descontado no salário”, declarou.
Segundo o presidente, a medida deve aliviar despesas domésticas e estimular a economia.
Diplomacia e segurança pública
No campo internacional, Lula mencionou a resposta brasileira ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, ressaltando a aposta no diálogo diplomático. A aproximação com o presidente norte-americano, Donald Trump, resultou na suspensão de tarifas sobre carne bovina e produtos agropecuários, apresentada como exemplo de articulação externa.
Outro eixo do discurso envolveu a segurança pública, tema recorrente em disputas eleitorais. Lula destacou operações da Polícia Federal contra o crime organizado.
“Neste ano, a Polícia Federal comandou a maior operação já feita contra o crime organizado”, disse, ao enfatizar que o enfrentamento passou a atingir lideranças de alto escalão.
Bolsonaro lança o filho como pré-candidato
Em paralelo, Jair Bolsonaro sinalizou seus planos políticos em carta manuscrita divulgada no dia de sua cirurgia de hérnia. No documento, formalizou a indicação do filho, o senador Flávio Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência em 2026, associando a decisão a um discurso de injustiça e continuidade política.
“Diante de um cenário de injustiça e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, decidi indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”, escreveu.
Em outro trecho, reforçou o peso simbólico da escolha:
“Entrego, assim, o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho, à missão de resgatar o nosso país”.
Mobilização da base aliada
Após a divulgação da carta, Flávio Bolsonaro falou com a imprensa em frente ao hospital, adotando tom de mobilização política mesmo ao comentar o estado de saúde do pai. Relatou melhora clínica e destacou a união da família em torno do projeto.
“Estão todos aí imbuídos em primeiro lugar pela saúde dele e depois para dar continuidade a esse projeto aqui de resgate do nosso Brasil”, afirmou.
Sobre o impacto da formalização, o senador minimizou novidades, mas reconheceu o efeito político.
“Acho que isso aqui tira qualquer sombra de dúvida. Para mim não muda nada; para algumas pessoas, que ainda não estavam acreditando, pode ser que mude”, disse.
Em seguida, fez um apelo direto à base aliada:
“Só peço que todos se unam, a gente tem que buscar a unidade para evitar que o PT destrua o país”.



