Sem o Novo START, potências ficam sem limites para arsenais pela primeira vez em décadas; especialistas alertam para risco de escalada
A expiração do Novo START, o último tratado de controle de armas nucleares ainda vigente entre Estados Unidos e Rússia, ocorreu nesta quinta-feira (5), gerando alertas sobre a possibilidade de uma nova corrida armamentista global. O fim do pacto deixa as duas maiores potências atômicas do planeta sem restrições formais para seus estoques estratégicos em décadas.
Para o ex-subsecretário interino de Estado dos EUA para controle de armas Thomas Countryman, o perigo reside na possibilidade de incidentes casuais ou previsíveis evoluírem com rapidez para um embate nuclear. Em entrevista à CNN, ele afirmou que esse é o maior risco do atual cenário.
Implementado em 2011, o Novo START estabelecia o teto de 1.550 ogivas nucleares instaladas para cada nação, além de limitar o uso de bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos — tanto terrestres quanto lançados por submarinos. O acordo havia sido prorrogado em 2021, mas o modelo jurídico atual não permitia novas extensões nos mesmos moldes.
O fator China
A administração de Donald Trump tem sido crítica ao tratado, sob o argumento de que o pacto se tornou defasado por não contemplar o poderio militar de Pequim. Projeções do Pentágono de 2022 indicam que a China pode atingir a marca de 1.500 ogivas até 2035. Ao jornal The New York Times, Trump declarou que, com o fim do prazo, os Estados Unidos buscariam “um acordo melhor”.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, endossou a necessidade de uma nova arquitetura de controle que envolva o governo chinês. “O presidente tem sido claro de que, para haver um verdadeiro controle de armas no século 21, é impossível fazer algo que não inclua a China, devido ao seu vasto e crescente arsenal”, disse Rubio.
Resposta russa e instabilidade
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou não ter obtido retorno da Casa Branca sobre as negociações e comunicou que Moscou não se considera mais obrigada a cumprir as cláusulas centrais do pacto. Rose Gottemoeller, ex-negociadora-chefe dos EUA para o Novo START, alertou que o governo de Vladimir Putin possui maior prontidão para expandir seu arsenal de forma acelerada em comparação aos americanos.
Para Daryl Kimball, diretor executivo da Arms Control Association, o colapso diplomático configura um cenário de incerteza mundial. Segundo o especialista, o atual posicionamento de Washington frente a tratados internacionais pode desencadear “o início de uma nova corrida armamentista desenfreada entre Estados Unidos, Rússia e China, com alto custo para todos os países”.



