Mesmo sob custódia, ex-presidente centraliza decisões sobre candidaturas estaduais e nacionais; agenda de visitas inclui governadores e parlamentares
O cenário político brasileiro observa um deslocamento incomum de seu centro decisório. Atualmente, as principais diretrizes da oposição não emanam de diretórios partidários ou gabinetes no Congresso, mas sim da cela ocupada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na “Papudinha”. Em um movimento que mimetiza episódios históricos da política nacional, o local transformou-se em um bunker estratégico onde se definem alianças e palanques para as eleições de 2026.
A movimentação de bastidores é intensa, com uma lista de espera de aliados que buscam a chancela do ex-mandatário para consolidar suas bases regionais.
A unção de Flávio Bolsonaro e o apoio de Tarcísio
As definições de maior peso para a sucessão presidencial já começaram a ser comunicadas a partir do sistema prisional. Antes mesmo de sua transferência definitiva, Bolsonaro já havia sinalizado a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o nome do grupo para a disputa ao Planalto.
- Aliança Consolidada: Em visita realizada nesta quinta-feira (29), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou seu papel no tabuleiro político: será candidato à reeleição no estado e apoiará integralmente o nome de Flávio para a presidência.
- Agenda de Visitas: A fila de parlamentares inclui representantes do Rio de Janeiro, Paraíba, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, além de senadores de Goiás, todos aguardando autorização judicial para conferências presenciais.
Restrições judiciais e barreiras de comunicação
Apesar do fluxo de visitas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantém vigilância rigorosa sobre os interlocutores. Um exemplo é o impedimento de Valdemar Costa Neto, presidente do PL. O pedido de encontro foi indeferido sob o argumento de que ambos são investigados no mesmo processo por tentativa de golpe, o que veda qualquer comunicação direta entre as partes.
O histórico de decisões do cárcere
O fenômeno de centralizar articulações políticas a partir da prisão não é inédito na história recente do país. Em 2018, o atual presidente Lula exerceu papel semelhante na sede da Polícia Federal no Paraná. Foi de dentro da cela que o petista barrou nomes internos e oficializou Fernando Haddad como seu sucessor na disputa daquele ano, utilizando cartas manuscritas como principal ferramenta de comunicação com sua base.
Agora, Bolsonaro adota tática similar, mantendo-se como o eixo gravitacional da direita brasileira, mesmo sob o isolamento do sistema carcerário.
(Fonte: Julia Duailibi/G1)



