Relatório da Transparência Internacional referente a 2025 situa o país na 107ª posição; emendas parlamentares e fraudes no setor bancário e previdenciário são apontadas como retrocessos
O Brasil não apresentou evolução significativa no combate à ilegalidade pública e permanece estagnado no Índice de Percepção da Corrupção (IPC). De acordo com o levantamento da Transparência Internacional divulgado nesta terça-feira (10/02), o país manteve a 107ª colocação no ranking global, registrando apenas um ponto de acréscimo em sua nota geral. O resultado consolida o pior ciclo histórico do país no mapeamento, que avalia 180 nações sob a ótica de acadêmicos, juristas e especialistas em governança.
A pontuação brasileira, fixada em 35 pontos (em uma escala de 0 a 100), reflete a fragilidade dos mecanismos de controle e a percepção de falta de independência em setores-chave da administração e do Judiciário.
Retrospectiva e queda de posição nos últimos governos
A trajetória brasileira no índice revela um declínio acentuado nos últimos anos. Em 2022, ao final da gestão de Jair Bolsonaro, o Brasil ocupava o 96º lugar. No primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, o país recuou para a 104ª posição, atingindo agora o patamar atual de 107º, três degraus abaixo do registrado no início do mandato petista.
Para a Transparência Internacional, a manutenção desta nota baixa deve-se a episódios específicos que fragilizaram a imagem do país no exterior em 2025:
- Orçamento Público: O aumento substancial no volume de emendas parlamentares sem mecanismos rígidos de fiscalização.
- Escândalos Financeiros: A identificação de fraudes complexas no Banco Master e no INSS.
- Integridade Judiciária: A falta de um código de conduta formal para os ministros do STF, tema defendido pelo atual presidente da Corte, Edson Fachin.
Fatores de avaliação e metodologia
O IPC é considerado o principal indicador mundial de corrupção no setor público. A metodologia da ONG cruza dados de diversas fontes internacionais para mensurar:
- A transparência na administração direta e indireta.
- A eficácia das instituições de controle (como o Ministério Público e Tribunais de Contas).
- A ausência de pressões políticas sobre magistrados e investigadores.
O cenário mundial: lideranças e lanternas
Enquanto o Brasil luta para sair das últimas posições entre os países do G20, o topo do ranking continua sendo dominado por nações com democracias consolidadas e altos índices de transparência. A Dinamarca lidera a lista como o país menos corrupto do mundo, seguida por Finlândia e Cingapura. No extremo oposto, Somália e Sudão do Sul figuram como os países com a maior percepção de corrupção sistêmica.
A Transparência Internacional ressalta que a recuperação da confiança dos investidores e da sociedade civil brasileira passa obrigatoriamente pelo fortalecimento da autonomia dos órgãos de investigação e pela limitação do uso político do orçamento da União.




