Governo de Pedro Sánchez veta uso de bases militares e impede voos ligados à operação, classificando ação como ilegal e ampliando tensão com Washington
A Espanha decidiu restringir seu espaço aéreo e impedir o uso de instalações militares por forças dos Estados Unidos em ações relacionadas à ofensiva contra o Irã. A medida, confirmada por autoridades civis e militares, reforça a posição de neutralidade adotada pelo governo espanhol diante do conflito.
Veto a bases estratégicas e operações aéreas
Segundo informações divulgadas pelo jornal El País, com base em fontes das Forças Armadas, Madri não autorizou a utilização das bases de Base Naval de Rota e Base Aérea de Morón em operações de combate ou reabastecimento ligadas à ação militar.
Além disso, o governo espanhol também proibiu o trânsito, em seu espaço aéreo, de aeronaves norte-americanas envolvidas na ofensiva, incluindo aquelas posicionadas em países aliados como Reino Unido e França. A decisão foi confirmada posteriormente por fontes oficiais ouvidas pela agência Europa Press.
Governo classifica conflito como ilegal
Na semana anterior, o primeiro-ministro Pedro Sánchez já havia sinalizado a postura do país durante discurso no Parlamento.
“Não autorizamos a utilização das bases de Rota e Morón para esta guerra ilegal”, declarou. “Todos os planos de voo relacionados com a operação no Irã foram rejeitados, incluindo aeronaves de reabastecimento.”
Sánchez admitiu que a decisão exigiu cautela diplomática, mas reforçou o princípio de soberania nacional. “Fizemos isso porque o acordo bilateral permite e porque somos um país soberano que não quer participar de guerras ilegais”, afirmou.
Negociações e ruptura com Washington
De acordo com o El País, nas semanas que antecederam o início dos ataques — em 28 de fevereiro —, houve intensas negociações entre Madri e Washington sobre o eventual papel espanhol na operação. As tratativas, no entanto, terminaram sem acordo, resultando no veto definitivo.
Desde o início da escalada militar, o governo espanhol tem adotado uma postura crítica tanto em relação aos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel quanto à reação do Irã, classificando o conflito como incompatível com o direito internacional.
Impactos geopolíticos e críticas à ofensiva
Para Sánchez, o cenário atual representa um “desastre absoluto” e supera, em gravidade, episódios como a Guerra do Iraque. O premiê destacou que o Irã possui relevância estratégica global e criticou a ausência de objetivos claros na operação militar.
Ele também apontou que a ofensiva ocorreu em um momento em que havia sinais de avanço nas negociações diplomáticas com Teerã, além de declarações anteriores de autoridades norte-americanas indicando não haver ameaça nuclear iminente.
Na avaliação do líder espanhol, a escalada tem contribuído para aumentar a instabilidade no Oriente Médio, pressionar a economia global e alterar o equilíbrio geopolítico, com possível fortalecimento da Rússia e impacto negativo sobre a Ucrânia.



