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Entre o Fogo e a Chuva – Por Wilton Emiliano Pinto *

Jeverson by Jeverson
25 de fevereiro de 2026
in Artigos
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Entre o Fogo e a Chuva – Por Wilton Emiliano Pinto *
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Na primeira aula do curso de estudo, “Conscientização”, o instrutor nos convidou a um exercício simples, mas profundo.

Pediu que imaginássemos dois sons da natureza: o fogo crepitando nos galhos secos e a chuva caindo na noite.
Disse-nos que, muitas vezes, eles se assemelham aos nossos ouvidos, e que, embora pareçam iguais, produzem efeitos completamente diferentes.


Um destrói.
O outro fertiliza.

Enfim, é sobre como reagimos aos contatos com o mundo, sobre reagir com calor e violência ou com leveza e frescor. O resultado pode ter a destruição e a sensação desagradável do fogo ou a suavidade e frescor da água.

E cabia a nós refletir sobre aquilo que, na vida, pode nos confundir, mas se revela distinto pelos resultados.

Daí nasceu essa reflexão:

O crepitar do fogo ecoa na noite silenciosa.
A chuva cai mansa sobre o telhado antigo da casa.
Dois sons que parecem opostos, e às vezes se confundem, mas que conversam entre si.

Um estala firme no ar.
O outro sussurra contínuo no escuro.
E, no meio deles, estamos nós.
Atentos. Silenciosos. Humanos.

O fogo dança inquieto diante dos nossos olhos.
É movimento. Impulso. Transformação constante.
Nada que ele toca permanece igual ao que era antes.
Ele consome, aquece, ilumina,
e também reduz a cinzas aquilo que encontra.

Há algo de definitivo no fogo quando se impõe.
Ele não volta atrás.

A chuva, ao contrário, insiste no seu próprio ritmo.
Cai. Retorna. Recomeça.
Evapora, sobe aos céus, reaparece quando menos esperamos.
Molha a terra, apaga excessos, prepara o chão.

A chuva não destrói para terminar histórias.
Desfaz para permitir que algo renasça.
Fertiliza o que parecia perdido.

Mas não são apenas fenômenos da natureza.
São também maneiras de reagir ao mundo.
Porque a vida nos toca o tempo todo,
com palavras duras, com gestos impensados,
com perdas, frustrações e encontros inesperados.
E, nesse instante invisível entre o que nos atinge e o que devolvemos,
decidimos:
arder ou refrescar.

Fogo e água atravessam gerações.
São antigos como a memória do mundo.
E falam, silenciosamente, da própria vida que levamos.

Há dias em que somos fogo.
Determinados. Intensos. Decididos.
Queimamos etapas que pareciam impossíveis.
Rompemos silêncios que nos aprisionavam.
Tomamos decisões que mudam tudo.
E, quando percebemos, parte de nós já virou passado.

Outros dias somos chuva.
Mais lentos. Mais contemplativos.
Revisitamos memórias com cuidado.
Deixamos que a saudade caia sem pressa.
Sem urgência de secar o coração.

O encontro desses dois sons nos conduz à meditação.
Não a formal.
Mas aquela que nasce naturalmente,
quando a alma encontra silêncio.
Quando o barulho de fora abre espaço
para o que mora dentro.

O crepitar do fogo lembra conversas antigas.
Noites ao redor de uma fogueira improvisada.
Histórias contadas sem relógio.
Risadas que hoje vivem apenas na lembrança.

O fogo guarda rostos.
Guarda vozes.
Guarda presenças que o tempo levou,
mas não apagou.

A chuva traz outro tipo de memória.
Tem cheiro de terra molhada.
Tem temperatura que envolve.
Tem o som das telhas antigas
e das janelas entreabertas.

Ela nos leva para dentro.
Para aquele espaço da casa onde o afeto morava sem pressa.
Para aquele abraço que hoje vive apenas na lembrança.

Entre o fogo e a água existe um intervalo.
E nesse intervalo mora a consciência.
Não é apenas nostalgia.
É responsabilidade.
É perceber que cada reação nossa
altera o terreno onde pisamos
e o coração de quem caminha ao nosso lado.

A vida é esse ciclo delicado:
Queimar. Molhar. Recomeçar.
Perder algo querido
e reencontrar sentido.
Destruir para abrir espaço.
Molhar para permitir que algo cresça.

Há relações que foram fogo.
Intensas. Transformadoras.
Mudaram nossa paisagem interior.
Mesmo que tenham terminado em cinzas,
iluminaram a noite.
E isso ninguém apaga.

Há encontros que foram chuva.
Silenciosos. Constantes.
Não fizeram alarde.
Mas fertilizaram nosso chão.
Ensinaram permanência.
Ensinaram que o essencial não grita.

Quando escutamos esses sons juntos,
algo dentro de nós reconhece a verdade:
nem tudo o que estala é destruição,
nem tudo o que cai é perda.

E nem tudo o que nos fere precisa virar incêndio.
Nem toda tristeza precisa se transformar em tempestade.
Há respostas que queimam pontes.
Há respostas que regam futuros.

Talvez maturidade seja isso:
ouvir o crepitar sem medo,
ouvir a chuva sem resistência,
e discernir, diante do mundo,
se nossa palavra será chama
ou será água.

Nada se perde.
Tudo se transforma.
Tudo retorna de outra forma.

A vida não é só fogo.
Nem só água.
É o encontro dos dois.
É o instante em que o estalo encontra o sussurro.
É lembrar que viver é arder…
… e também escolher molhar.

No fim, somos essa mistura.
Cinzas que fertilizam.
Gotas que renovam.
Memórias que aquecem.
Silêncios que curam.

E enquanto houver fogo crepitando na noite
e chuva caindo mansa sobre a terra,
a vida continuará nos perguntando, em silêncio:

Você vai incendiar o mundo,
ou vai regá-lo?

Entre memórias que aquecem e silêncios que renovam, Wilton escreve a vida como ela é.
Tags: ArtigosEntre o fogo e a chuvaWilton Emiliano Pinto
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