Em Guaratinguetá (SP), Ana Luiza Dixon emprega 35 pessoas na produção de bonecas hiper-realistas, atividade que começou como presente para a filha e se transformou em negócio consolidado
Uma fábrica localizada em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, tem chamado atenção nas redes sociais pela produção de bebês reborn — bonecas hiper-realistas que imitam recém-nascidos. A unidade, que funciona há mais de dez anos, é responsável por aproximadamente 300 vendas mensais e sustenta dezenas de famílias na região.
O negócio é comandado pela empresária Ana Luiza Dixon, de 42 anos, que ingressou no ramo de forma inusitada: ao tentar presentear a filha de seis anos com uma boneca reborn, deparou-se com o alto custo do produto. Sem condições financeiras na época, decidiu improvisar com o que tinha.
“Foi algo bem natural. Eu sempre gostei muito de artesanato, mas eu fazia por hobby, em casa. Eu achei que era capaz de fazer para minha filha uma e foi fluindo. Depois que comecei a vender algumas, eu vi que precisava me aperfeiçoar e aí fiz cursos. Já fiz um curso nos Estados Unidos e fiz um curso em São Paulo, para poder ir aprendendo cada vez mais, para deixar os bebês cada vez mais realistas”, relata Ana Luiza.
A primeira criação foi divulgada em suas redes sociais, onde rapidamente começaram a surgir encomendas. O que antes era apenas um hobby artesanal evoluiu para uma atividade empresarial estruturada. Hoje, a fábrica conta com 35 colaboradores e atende uma clientela variada, formada por crianças, colecionadores e até mães que sofreram perdas gestacionais ou enfrentam problemas de fertilidade.
“Pra mim, fazer as bonecas significa poder transmitir amor, carinho e respeito ao próximo, porque ninguém sabe da dor do outro. Eu faço meu trabalho com muita dedicação em cada bebê reborn para transmitir e superar as expectativas de cada pessoa”, diz Ana Luiza, emocionada. “Essas pessoas que de alguma forma não podem ter filhos ou perderam, ficam muito emocionadas com a boneca. E eu fico realizada, porque de alguma forma aquele brinquedo vai aliviar alguma dor desta pessoa”.
Com valores que variam entre R$ 599 e R$ 2 mil, os modelos mais acessíveis são vendidos a pronta entrega, enquanto as versões personalizadas, que podem levar até cinco dias para ficarem prontas, envolvem escolhas específicas de características físicas, como tom de pele, olhos e tipo de cabelo — elementos que, segundo a empresária, fortalecem a identificação da criança com o brinquedo.
Além do realismo, a empresa investe em diversidade e inclusão. São produzidos modelos com traços de Síndrome de Down, com lábio leporino e com aparelhos auditivos, buscando representar crianças com diferentes características. “Eu adoro trabalhar com a representatividade, né, porque a gente tem pessoas de tudo quanto é jeito e as crianças gostam de escolher as características delas. Então, eu tenho todos os jeitos, conforme vão pedindo, eu vou dando um jeito aqui, tentando fazer”, explica.

A matéria-prima também varia: os bebês podem ser confeccionados em vinil ou silicone sólido, com corpo de tecido e cabelo de fibra sintética, o que reforça o aspecto visual de um recém-nascido.
Antes de se dedicar integralmente ao negócio, Ana Luiza trabalhava com o marido em uma loja de informática. O casal optou por fechar o antigo comércio e passou a atuar exclusivamente com a produção de bonecas. “Antes, eu e meu marido tínhamos uma loja de informática, trabalhávamos no comércio. Inclusive, a gente fechou essa loja e hoje meu marido trabalha comigo, a gente trabalha junto fazendo as bonecas”, contou.
Com a recente viralização das bonecas reborn nas redes sociais, Ana vê a tendência como positiva para o setor. “Eu respeito muito a opinião de cada um, gosto muito de bonecas, então eu sou suspeita pra falar, pois eu trabalho com isso todo dia. Eu produzo as bonecas, eu ponho roupinha, eu ponho fralda pra enviar os bebezinhos, e não julgo quem gosta de colecionar, gosta de brincar, porque cada um faz o que gosta, quem é a gente pra julgar?”, afirma.
“Então, eu estou adorando a repercussão, porque as pessoas começam a procurar, saber o que é bebê reborn, tem gente que não conhece. Então, pra mim foi bom”.
A empreendedora afirma sentir-se realizada por unir propósito e profissão. “Me sinto muito realizada, gosto muito do meu trabalho. Eu gosto mesmo do que faço, fico muito feliz ao saber que uma criança vai realizar um sonho recebendo uma boneca. Tenho uma empresa saudável, próspera e pretendo continuar aqui sempre me aperfeiçoando cada vez mais”, conclui.

