País encerra o ano com indicadores mais favoráveis, mas endividamento das famílias segue em patamar recorde
A economia do Brasil fecha 2025 em um cenário mais estável do que o observado no início do ano. A inflação desacelerou, o Produto Interno Bruto (PIB) superou as projeções iniciais e o desemprego atingiu níveis historicamente baixos. Apesar disso, os juros permaneceram elevados e o crédito seguiu restrito, mantendo pressão sobre consumo e investimentos.
Inflação em trajetória de desaceleração
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou queda ao longo de 2025, consolidando uma tendência de desaceleração. Em janeiro, o acumulado em 12 meses estava em 4,56%, o menor índice para o mês desde a criação do Plano Real, em 1994.
As projeções foram revistas para baixo durante o ano. De acordo com o boletim Focus, divulgado em dezembro, a estimativa para o IPCA recuou de 4,4% para 4,36%, abaixo do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Mesmo com a melhora, alimentos, serviços e habitação continuaram pesando no orçamento das famílias.
Juros elevados e política monetária restritiva
A taxa Selic permaneceu em patamar elevado durante todo o ano. Em janeiro, estava em 13,25% ao ano e, ao longo dos meses, foi mantida em 15%.
A decisão refletiu a postura cautelosa do Banco Central diante das incertezas fiscais e da necessidade de manter as expectativas de inflação sob controle. Na prática, os juros altos encareceram o crédito e limitaram o avanço do consumo e dos investimentos.
PIB supera expectativas iniciais
A atividade econômica apresentou desempenho superior ao previsto no início de 2025. O FMI projetava crescimento de 2,2% para o Brasil, mas os resultados levaram a uma revisão positiva. A mediana das projeções do mercado encerrou o ano em 2,25%.
O avanço foi sustentado pelo setor de serviços e pelo agronegócio, enquanto a indústria mostrou desempenho irregular.
Mercado de trabalho em destaque
O emprego foi um dos pontos mais positivos do ano. Em janeiro, a taxa de desemprego estava em 6,5%, segundo o IBGE, já sendo o menor índice para o mês desde 2014.
Ao longo de 2025, o cenário melhorou de forma consistente. No trimestre encerrado em outubro, o desemprego caiu para 5,4%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Mais de 1,8 milhão de vagas formais foram criadas, reduzindo o número de desocupados para 5,9 milhões.
Apesar da melhora, os ganhos de renda permaneceram limitados, em um ambiente ainda marcado por juros altos e inflação persistente em itens essenciais.
Endividamento das famílias em patamar recorde
Mesmo com a melhora nos indicadores macroeconômicos, o endividamento das famílias atingiu níveis inéditos. Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC, em outubro, 79,5% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida — o maior percentual da série histórica.
A inadimplência também bateu recorde: 30,5% das famílias tinham contas em atraso, e 13,2% afirmaram não ter condições de quitar seus débitos.
Perspectivas para 2026
Com inflação em queda e crescimento moderado, o Brasil encerra 2025 em situação mais favorável do que no início do ano. No entanto, os juros elevados e o endividamento das famílias permanecem como desafios centrais. O próximo ano começa com a política monetária ainda em aberto, em meio às expectativas sobre os rumos da economia.
(Com R-7)



