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Casa Mundo

Crescimento da AfD agrava cenário de xenofobia contra imigrantes brasileiros na Alemanha

Administrador by Administrador
21 de fevereiro de 2025
in Mundo
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Imigrantes brasileiros enfrentam discriminação na Alemanha por sotaque, aparência e restrições em serviços médicos

Brasileiros que vivem na Alemanha enfrentam diferentes formas de discriminação, que vão desde insultos e constrangimentos até a recusa de atendimento em serviços públicos. Especialistas apontam que o crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita que ocupa a segunda posição nas pesquisas de intenção de voto para as eleições deste domingo (23), tem contribuído para um ambiente mais hostil aos imigrantes.

A estudante Isabel, residente em Düsseldorf, relata um episódio em que sentiu a discriminação de forma evidente. Ao tentar abrir uma conta bancária em 2019, foi questionada se preferia ler o contrato em inglês em vez de alemão. Diante da resposta positiva, o atendente afirmou que, nesse caso, aquele banco não era adequado para ela e que deveria simplesmente ir embora. “São situações que, muitas vezes, ficam nas entrelinhas, mas essa foi explícita”, comenta.

O preconceito também se reflete no acesso à saúde. Alessandra, que buscava tratamento para um nódulo na tireoide, teve o atendimento negado por não falar alemão. Foi orientada a retornar na semana seguinte com um tradutor. “Desde então, sinto que preciso estar sempre preparada para o que pode acontecer. Não sei quando alguém vai me hostilizar apenas por ser imigrante”, desabafa.

Clima político e impacto nos imigrantes

Para Evelyne Leandro, presidente da ONG Janaínas, que presta apoio a brasileiras vítimas de xenofobia, o fortalecimento da AfD no Bundestag (parlamento alemão) pode tornar a situação ainda mais desafiadora para imigrantes. “O medo passa a fazer parte do dia a dia. As microagressões tendem a aumentar e há o risco de retrocessos em políticas públicas de proteção”, alerta.

Embora não existam estatísticas específicas sobre casos de xenofobia contra brasileiros na Alemanha, dados do Ministério do Interior indicam um crescimento expressivo nos registros de crimes de ódio. Entre 2019 e 2023, denúncias de atos racistas e xenófobos aumentaram 813%, saltando de 1,6 mil para 15 mil casos.

O sociólogo Sergio Costa, da Universidade Livre de Berlim, destaca que discursos políticos têm impacto direto na sociedade. “Quando lideranças adotam uma retórica anti-imigração, parte da população se sente legitimada a discriminar estrangeiros. Esse fenômeno não ocorre apenas na Alemanha, mas em outros países europeus onde a direita radical tem conquistado espaço”, explica.

Ele menciona, ainda, a recente tentativa do candidato conservador Friedrich Merz, da União Democrata Cristã (CDU), de aprovar medidas mais rígidas contra a reunificação familiar e reforçar restrições na entrada de imigrantes. A proposta contou com o apoio da AfD. “Mesmo eleitores moderados da democracia cristã são influenciados por esse discurso xenófobo, que se tornou uma ferramenta eleitoral para evitar a perda de votos para a extrema direita”, observa.

Pesquisas da plataforma Statista mostram que, em 2024, 13,3% da população alemã acredita que a presença de estrangeiros representa uma ameaça ao país. O levantamento também aponta que 15,3% dos entrevistados consideram que imigrantes vivem na Alemanha apenas para usufruir de benefícios sociais, enquanto 11% defendem a deportação de estrangeiros em caso de desemprego.

Discriminação no trabalho e na educação

Casos de xenofobia ocorrem em diferentes contextos, do mercado de trabalho às escolas. A tradutora Cleuza, moradora da Saxônia – um dos estados onde a AfD tem forte presença, com 30,6% dos votos na última eleição estadual –, relata dificuldades na convivência profissional. “Fingiam não me entender e faziam comentários depreciativos sobre meu alemão. O ambiente ficou insustentável, e acabei pedindo demissão”, conta.

Na educação, situações semelhantes ocorrem com crianças imigrantes. Solange, mãe de um menino de seis anos, buscou apoio psicológico escolar depois que o filho começou a ser tratado de forma discriminatória pela professora. “Ela dizia que ele nunca acompanharia os colegas e não teria condições de ingressar no ensino secundário. Descobri que fazia o mesmo com outras crianças estrangeiras”, afirma. Após a denúncia, Solange tirou o filho da escola e buscou auxílio do Estado.

Já em Dresden, outro reduto da AfD, Daniela recebeu em sua caixa de correio um panfleto da legenda com uma simulação de passagem aérea destinada à deportação de imigrantes. “Meu marido viu um homem idoso colocando o material na caixa, que traz o nosso sobrenome. Foi um choque perceber essa hostilidade”, relata. Segundo ela, episódios como esse se somam a outros, como pessoas cuspindo ao seu lado ou se recusando a cumprimentá-la. “No Brasil, sou lida como branca, mas aqui isso não me protege”, pontua.

O papel da AfD na radicalização do discurso xenófobo

Embora a xenofobia na Alemanha não tenha surgido com a AfD, seu crescimento acelerou a disseminação de discursos radicais. O fenômeno se intensificou após a reunificação do país em 1990, quando estados da antiga Alemanha Oriental perderam relevância econômica e grupos conservadores passaram a se opor a políticas de diversidade social.

Para Sergio Costa, esse cenário impulsionou o ressurgimento da extrema direita. “Hostilizar imigrantes passou a ser uma forma de reação simbólica à perda de status social e econômico”, explica. No passado, o Partido Nacional-Democrático da Alemanha (NPD) tentou explorar essa insatisfação, mas nunca obteve força suficiente para eleger representantes ao parlamento federal. A AfD, por outro lado, conseguiu consolidar seu espaço ao radicalizar sua pauta, afastando os fundadores moderados e adotando uma agenda abertamente anti-imigrantes.

Diferentes faces do preconceito

Com cerca de 160 mil brasileiros vivendo na Alemanha, a experiência da xenofobia se manifesta de maneiras distintas. Segundo Evelyne Leandro, o preconceito é ainda mais evidente para imigrantes negros e de classes menos favorecidas. “Quando fatores como raça e condição econômica se somam, as microagressões se tornam mais frequentes”, observa.

Na Turíngia, estado onde a AfD teve seu melhor desempenho eleitoral, Rosa foi alvo de um ataque verbal enquanto caminhava com amigas. “Um grupo de alemães passou de carro gritando: ‘Fora! Alemanha para alemães!’”, lembra.

Em um evento social, um conhecido do marido de Rosa fez um comentário inapropriado sobre sua aparência. “Ele perguntou se meus pelos pubianos eram da mesma cor do meu cabelo. Foi revoltante. Me levantei e fui embora”, conta. “Se eu fosse uma estrangeira de pele clara, provavelmente ele não teria feito essa pergunta. Foi um momento de impotência”, desabafa.

Outros brasileiros relatam discriminação em locais de lazer. Mayara teve a entrada negada em uma festa, mesmo estando acompanhada de duas amigas – uma alemã e outra polonesa –, que foram autorizadas a entrar. “O segurança pediu meus documentos e questionou minha idade, embora eu já tivesse 30 anos. Depois, perguntou de onde eu era e disse que eu não poderia entrar. O caso foi levado à Justiça”, relata.

Na Alemanha, vítimas de xenofobia podem buscar apoio da Agência Alemã de Antidiscriminação, que oferece assessoria jurídica e orientação sobre medidas legais. Desde 2006, a legislação prevê indenização para vítimas de discriminação quando os responsáveis são identificados.

( Com DW )

Tags: AfDAlemanhaAlternativa para a AlemanhaBrasileiros na AlemanhaJanainasmundoXenofobia
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