Comissão amplia escopo das investigações e mira movimentações financeiras do filho do presidente
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura suspeitas de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A decisão foi tomada no âmbito das investigações conduzidas pelo colegiado no Congresso Nacional.
O requerimento aprovado pelos parlamentares determina o acesso a dados financeiros do empresário, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de verificar eventuais vínculos entre movimentações bancárias e fatos investigados pela comissão.
A CPMI foi instalada para apurar denúncias de fraudes e possíveis desvios envolvendo contratos, benefícios e intermediários ligados ao INSS. Desde sua criação, o colegiado vem aprovando convocações, pedidos de informação e quebras de sigilo fiscal, telefônico e bancário de pessoas consideradas estratégicas para o avanço das apurações.
Alcance da medida
A quebra de sigilo bancário permite que a comissão tenha acesso a extratos, transferências, registros de operações financeiras e demais dados relacionados às contas do investigado dentro do período delimitado no requerimento. As informações passam a integrar o conjunto probatório analisado pelos parlamentares e podem ser compartilhadas com órgãos de controle e investigação, como o Ministério Público.
Aliados do governo criticaram a decisão e classificaram a medida como tentativa de politização da comissão. Parlamentares da oposição, por sua vez, afirmam que a iniciativa é necessária para garantir transparência e esclarecer suspeitas levantadas durante os depoimentos já realizados.
Contexto político
A inclusão do nome de Lulinha nas investigações ocorre em meio a um ambiente de forte polarização política no Congresso. A CPMI tem sido palco de embates entre governistas e oposicionistas, que divergem quanto ao foco e à condução dos trabalhos.
A defesa do empresário ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão. Caso identifique indícios de irregularidades, a comissão poderá encaminhar relatório final aos órgãos competentes, sugerindo eventuais indiciamentos.
A CPMI do INSS segue com calendário de oitivas e análise de documentos nas próximas semanas.
