Agência americana atuou com fontes internas, drones furtivos e apoio das Forças Armadas dos EUA em operação planejada ao longo de meses
A captura de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos foi antecedida por um trabalho prolongado de inteligência conduzido pela Agência Central de Inteligência (CIA), que manteve monitoramento contínuo do líder venezuelano nos dias e semanas que antecederam a operação. Segundo pessoas com conhecimento direto do caso, informações obtidas por uma fonte infiltrada no governo da Venezuela foram decisivas para o desfecho da ação.
Monitoramento permanente e tecnologia de drones
De acordo com os relatos, a CIA foi responsável por produzir a inteligência que permitiu localizar Maduro com precisão. A agência teria utilizado uma frota de drones furtivos para acompanhar seus deslocamentos e atividades de forma quase ininterrupta em território venezuelano, complementando os dados fornecidos por colaboradores locais.
Além do uso de tecnologia avançada, agentes americanos atuavam de maneira clandestina no país desde agosto. Esse grupo reuniu informações detalhadas sobre a rotina, os hábitos e os padrões de deslocamento do presidente venezuelano, compondo um quadro minucioso de seu “padrão de vida”, segundo uma fonte familiarizada com a operação.
Fonte interna e recompensa milionária
Ainda não há detalhes públicos sobre como a CIA conseguiu recrutar a fonte dentro do governo venezuelano. Ex-integrantes da comunidade de inteligência americana, no entanto, avaliam que a recompensa de US$ 50 milhões oferecida por Washington a quem fornecesse informações que levassem à captura de Maduro teve papel relevante no processo.
Diretriz mais agressiva da inteligência americana
O reforço das operações secretas ocorreu após mudanças na orientação estratégica da CIA. Em audiência de confirmação no ano passado, o diretor da agência, John Ratcliffe, afirmou que pretendia conduzir uma atuação mais assertiva, tanto na coleta de informações quanto no avanço dos interesses da política externa dos Estados Unidos.
Essa postura foi respaldada pelo presidente Donald Trump, que autorizou a adoção de medidas mais duras no outono passado. Em novembro, o mandatário aprovou formalmente o planejamento e a preparação de uma série de ações voltadas à Venezuela.
Operações paralelas e coordenação militar
No fim de dezembro, a CIA já havia empregado um drone armado em um ataque contra um cais que, segundo autoridades americanas, era utilizado por uma organização criminosa venezuelana para o envio de drogas por via marítima. A ação foi vista como parte do esforço mais amplo de pressão sobre estruturas ligadas ao regime.
Pessoas envolvidas no planejamento da captura de Maduro afirmam que a operação resultou de uma cooperação estreita entre a CIA e os militares dos EUA, após meses de preparação detalhada. Um alto funcionário do governo americano disse que o líder venezuelano já estava “marcado”, ou seja, localizado com alto grau de precisão, desde as etapas iniciais do plano.
Papel da CIA e natureza da operação
Embora a agência de inteligência tenha tido participação central no levantamento de informações e na coordenação estratégica, a execução da missão ficou a cargo das forças especiais militares americanas. Oficialmente, tratou-se de uma ação de aplicação da lei conduzida sob autoridade militar, e não de uma operação direta da CIA.



